Fiasco automotivo



A persistir a crise no mercado e com as montadoras operando com 50% de sua capacidade instalada, referida ontem pelo dirigente da Volkswagen, Herbert Demel, de repente um fato global pode reduzir ainda mais o potencial da candidatura governista de Beto Richa. Assim, pois, da mesma forma que essa conjuntura, a da queda dos títulos brasileiros e do aumento do Risco-País, afeta Lula, tal pode ser dar por aqui também.
Quando Lerner fez o estardalhaço com incentivos para atrair montadoras Lester Thurow, o profeta do Capitalismo, lembrou que qualquer intituivo perceberia que investimentos na área só poderiam se dar no Brasil e Argentina, esta ainda sem os sinais da síndrome que a esfacelaria. Por isso, os condenava e poderia dar sequência à argumentação sugerindo que o Paraná levaria a melhor por suas condições logísticas excepcionais (infra-estrutura rodo-portuária, localização etc). O pólo automotivo, que não é o segundo, porque a Fiat nos desbanca, não levou também a classe operária ao paraíso: empregos ralos e com remuneração média da ordem de R$ 650 estão aí para refrear a euforia oficial.
Mesmo vendendo carro como se fosse sapato de plástico, a expressão é do executivo da Volkswagen, não se evita a aridez do quadro e ele prevê a saída de mais duas montadoras de Brasil e Argentina dentro de dois anos. Pelo menos as nossas é que correm menos risco por serem mais modernas, uma delas, a Audi, considerada a de maior vanguarda em escala internacional.
Estudiosos de mercado apontavam para esse risco há quase uma década. Alvaro Dias, numa entrevista à CBN Curitiba, lembrou, no tempo da euforia com a chegada da Renault, uma previsão técnica que dizia que nos primeiros anos do terceiro milênio haveria uma sobra de 17 a 20 milhões de veículos nos pátios das automotivas. Rodas de veículos (crise do mercado, aumento das tarifas de transporte, a espoliação do pedágio) podem moer, ao lado de outros fatores, a postulação do governo, já de natureza tão deficiente. Acidentes de percurso claramente previsíveis, um deles na tarifa de ônibus de Curitiba, que dentro de pouco tempo estará sendo subsidiada.
BIZARRICE Nesse PSDB do Paraná, tirando os cardeais como Euclides Scalco e José Richa, há alguém com a expressão de Luiz Carlos Hauly? Não. Mas a mesquinharia regional, safadíssima, de vetá-lo foi removida pela direção nacional. O baixo clero quase sempre tem a prepotência dos ditadores.
AXIOMA A clonagem do tigre da Tasmânia vai demorar. A de candidatos não.
GLOSA Qual a partida que você mais gostou da Copa? Simples: a partida da Itália, a da Argentina e, especialmente, a da França.
EPIGRAMA Curitiba seria a terceira capital com maior consumo de drogas do país. Só falta um oposicionista alegar que boa parte dos viciados recorre às drogas para ‘‘ver’’ a cidade ecológica e a capital social.
FOLCLORE O governo paranaense, que era de ‘‘fazer acontecer’’, agora aderiu ao ‘‘pensa que faz’’ quando se refere a obras e ao candidato à sucessão.
VINHETA Pelo programa do PFL com Lerner deu a entender, pela despedida ainda em meio do ano, que o homem vai pro eixo Paris-Nova York bem antes do tempo.
CROMO A pinha se abriu: uma chuva de pinhões cobriu a relva úmida da mata.
AFORÍSTICO Se o PPB se aliar ao PDT, Alvaro Dias ganha tempo. Há candidato, que mesmo com mais tempo, simplesmente vai perder o tempo.

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