Melodrama na tevê


Nada mais ajustado ao primeiro capítulo da telenovela ‘‘Esperança’’, repeteco de ‘‘Terra Nostra’’, do que aquela aparição do governador Lerner relatando suas proezas. Fica demonstrado que o esquema de forças situacionistas acreditou no diagnóstico de algum marqueteiro de que Lerner é o eleitor máximo, o que ficou claramente não ser verdadeiro na eleição de Taniguchi. Se o governador põe a cara na telinha no segundo turno, Ângelo Vanhoni ganhava. Aqueles marqueteiros que desaconselharam sua presença estavam certos, os de agora nem tanto.
Defendo a tese de que Beto Richa jamais se descolará de Lerner e isso afeta a propalada novidade que representaria. O que é ‘‘novo’’ não pode ser carregado às costas pelo antigo, aquele que está a tirar o time de campo. Toda herança de Lerner vai ser discutida na campanha. Da mesma forma que mudou o perfil da nossa economia, como se diz com alguma razão, aprofundou igualmente as bases da nossa dívida. O que mais cresce no Paraná e garante empregos não é o setor moderno e badalado, sabidamente poupador de mão de obra (as três montadoras e mais a New Holland, em abril, geravam apenas 7.600 vagas), e sim o tradicional da agroindústria, responsável pela dinâmica do Interior.
A tentativa de produzir ‘‘catarse’’ num apelo muito próximo da pieguice em favor da imagem de Lerner e, por extensão, do PFL seria adequada se o Ibope do homem estivesse como nos seus tempos de burgomestre e não agora quando disputa com Olívio Dutra, do RS, as últimas colocações do ‘‘ranking’’ brasileiro, diversos no estilo, um atraindo montadoras, outro mandando embora.
BIZARRICE Cada paranaense que nascer depois do governo Lerner poderá ter acesso a oportunidades criadas, mas também surgirá devendo muito dinheiro, seja o dos empréstimos externos, os da amortização dos bilhões emprestados ao Banestado para sair do buraco e tudo mais.
AXIOMA Campanha eleitoral do Paraná poderia ser apresentada como um decalque da peça teatral de Edmond Rostand ‘‘Cyrano de Bergerac’’. Lerner, com nariz comprido, adaptado, seria o Cyrano e o Beto Richa a imagem bonita para seduzir a Roxana do eleitorado.
GLOSA No discurso de Requião um equívoco: quem tem o ‘‘Nego’’ na bandeira é a Paraíba e não Alagoas. Agora se trava briga interna no PMDB para ver se a culpa é do orador ou do autor do texto. Sobre o mesmo tema houve uma ciclópica mancada do comentarista Márcio Guedes quando, ao referir-se à bandeira, sugeriu que a inscrição fosse Nêgo, de negro, e não nego, do verbo negar.
EPIGRAMA O Dieese garante: Lerner pode dar aumento pra todo mundo, inclusive aos professores. Não é muito pra quem imagina mínimo superior a R$ 1 mil.
VINHETA Fala-se que um candidato a prefeito estaria disposto a construir a primeira ponte pênis do mundo.
FOLCLORE No PSDB uma justificativa forte em defesa do seu candidato: a Coréia do Sul, também, no início da Copa era apontada como uma das mais cotadas a figurar nos últimos lugares. Quando falta esperança qualquer argumento vale.
CROMO Entre hipocampos, maresia e sargaços, cavalos relincham na praia e de suas narinas exalam vapores em contraste com a neblina azulada.
AFORÍSTICO Agora resolveram fazer o ‘‘provão’’ dos vereadores. E por que não dar notas aos deputados estaduais, federais e senadores com o mesmo rigor?
E alguém de uma ONG, que faz essa avaliação, pode ser candidato?

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