Luiz Geraldo Mazza
Que renovação?
Sábado, pela manhã, Beto Richa, enquanto quebrava o pau na convenção do PFL, para espairecer apareceu na Boca Maldita (lugar de risco, pois ali o Requião dificilmente consegue quorum nas rodas que frequenta e isso mesmo quando era governador e prefeito) para contatos. Um dos lugares visitados foi o Café Ritz, point da moda, onde se toma café à moda antiga sentado como lá em Buenos Aires e lendo jornais e revistas. Cumprimentou muita gente como convém a qualquer candidato, mas desde logo algo chamou a atenção: o grupo que o cercava, hoje bem envelhecido, era o mesmo do tempo do pai.
Não aparenta novidade e compromisso com a transformação um candidato cercado das mesmas pessoas que eram da intimidade do governo Richa. Richa governou de 83 a 86, isso significa mais de 15 anos, uma década e meia. Depois tentou de novo em 90 e lá estavam os mesmos: o excelente fotógrafo Ivan Bueno, o ex- chefe da Casa Militar e o onipresente Ezequias Moreira formando a farândola, na qual também figurava com destaque o Euclides Scalco. Outro que era daquele tempo e aí permanece, hoje fornecendo o local do comitê na antiga sede da Sociedade Rio Branco, o serventuário da Justiça e industrial Sílvio Name.
O time do Lerner em nada renova porque na desastrada eleição de 90 integrava igual equipe com o Euclides Scalco figurando como o vice do conjunto que não chegaria às oitavas de final, eliminado na primeira fase. Claro que não seria a figuração dos seus contemporâneos de kart que faria de Beto Richa a expressão de algo mais pra frente. O PFL derrotado acaba se enchendo de razão quando brigava pela postulação própria: pelo menos em retórica, Rafael Greca levaria fácil o confronto com os discursos de Requião e Alvaro Dias. E se nada teria de novo pelo menos figuraria claramente como um candidato com identidade e, sobretudo, com uma biografia própria, ainda que com muitos senões.
BIZARRICE Marqueteiros do Paraná sempre se queixaram de que gente de fora é que cuidava das campanhas eleitorais do situacionismo. E agora, que estão com a mão na massa, ficarão muito mal se perderem a eleição. Até agora vão mal.
AXIOMA Se essa pesquisa que dá Requião fungando na nuca de Alvaro Dias tiver procedência, com o Beto Richa com 4%, bem atrás do Padre Roque, o governo, desta vez, só emplaca com reza braba e galinha preta no encruzo, fazendo um contraponto com as luzes do Carrefour.
GLOSA A convenção do PFL não deu o que Greca ou Lerner esperavam: um achava que perderia por 40 votos e outro que ganharia por 200. Só falta calcularem, com esses dados, agora de quanto vão perder a eleição.
EPIGRAMA Se Rafael Greca sair para deputado estadual tem um problema: se verá obrigado a vencer Ângelo Vanhoni, seu adversário à prefeitura em 2004.
FOLCLORE Há candidatos que nem com uma lobotomia pré-frontal se habilitam e assim mesmo os marqueteiros dizem tirar isso de letra com a mais absoluta das facilidades. Se houvesse cobrança de perdas e danos dessa gente em casos de candidaturas fracassadas a arrogância e a soberba cairiam a zero.
CROMO Com os olhos fechados na escuridão, na vigília ou tentando dormir, guardo a impressão de que recomponho as imagens possíveis do quarto como se enxergasse naturalmente. Há acredite que na morte será assim.
AFORÍSTICO O PMDB dissidente também não é lá bom exemplo com Quércia em São Paulo e o José Sarney, seja no Maranhão ou no Amapá.





