Luiz Geraldo Mazza
Um dos fundamentos de liberais e esquerdistas sobre a tortura é o de que ela se torna mais grave quando praticada pelo Estado. Esse argumento foi um dos que se usou para neutralizar diferença de tratamento entre guerrilheiros, por exemplo, e agentes de segurança (DOPS, Cenimar, DOI-CODI). Claro que há nítido diferencial entre uma coisa e outra, o que não torna menos hediondo o delito do guerrilheiro ou terrorista que mata inocentes.
A suposição generalizada de que o risco maior do terrorista e do guerrilheiro o coloca em posição ética e até jurídica distanciada da violência do Estado e o absolve é favorecida pela visão romântica, que normalmente se concede aos que lutam contra o despotismo de qualquer ordem. O episódio da embaixada japonesa no Peru foi típico: no primeiro momento, o prestígio de Fujimori foi às nuvens na hora do massacre dos guerrilheiros, mas, na sequência, caiu em 15 pontos quando se tomou conhecimento de que houve execução dos que haviam se rendido.
Por que a sociedade pesquisada mudou de opinião? Porque aí o poder estatal agiu com violência desnecessária e com sentido de retaliação e extrema dosagem de covardia. O MST está embarcando nessa e não percebe: ficou arrogante com o apoio natural que a sociedade em maioria dá aos seus integrantes porque, afinal, mexem com o sentimento de qualquer pessoa em torno da pobreza e essa é a imagem que seus dirigentes fazem questão de exteriorizar nas lonas pretas com aquele sentido de provisoriedade, dramaticidade, mas também de resistência.
Stédile prega a mobilização dos pobres e instiga a violência; Gilberto Mauro aponta a execução do Django na fazenda Borborema como uma advertência aos fazendeiros que se armam. Enfim, há todo o momento um ato de prepotência como se fossem os vetores da história e pudessem ser violentos para o que sempre contariam não apenas com absolvição como indulgências plenárias, pois afinal a Igreja tutela as manifestações.
O Brasil inteiro está cobrando uma atitude do governo frouxo e enrolador do Paraná, onde tanto o governador como o secretário de Segurança são candidatos e não querem parecer politicamente incorretos nem com os sem-terra, muito menos com os fazendeiros, pois ambos têm uma medida eleitoral. Firmeza apenas nas palavras, nunca nas atitudes. O editorial do Estadão de ontem é um anátema contra essa frouxidão.
A essa altura, o MST deve estar reavaliando seus métodos (o assassinato e com tortura na fazenda Borborema tinha a sua bandeira e seu crachá) e é talvez na confiança do recuo, que pode ser provisório e tático, que Lerner continuará não cumprindo decisões judiciais que se acumulam. A omissão, adotada por mero oportunismo, vai convencer o lado mais agredido, o dos proprietários, que o único meio de defesa é, de um lado, acionar o governo civil e criminalmente e, de outro, armar-se para a defesa dos seus direitos e agora com a cautela de que sabem da selvageria e da fúria que acompanham os invasores.
MARKETING Na Grande Curitiba tivemos em cinco anos um incremento de 400 mil habitantes. Causa maior: a migração para um lugar apontado em propagandas nacionais como modelar e que vai receber indústrias que renderão mais de 800 mil empregos. Boa parte do agito rural tem também esse caráter, acrescido da garantia de que o governo facilita as invasões por ação e omissão, e que é um descumpridor por método de decisões judiciais.
BIZARRICE O fascínio recente de Lerner por fazer do Paraná pólo de modalidades desportivas levou a Hortência a oferecer seus préstimos para organizar aqui um centro de basquete feminino. Afinal, ela viu as convocações de Bernardinho, de Joaquim Cruz e de Ubiratã e colocou sutilmente a proposta. Só falta o Maguila, olhando a onda, querer fazer da terra um pólo de box; o Aurélio Miguel, um de judô; o Guga, de tênis etc. Mas ninguém vence o Paraná e seu governo numa das modalidades originais: a de esquiar na maionese.
PARALELISMO Brizola está mais do que magoado com Lerner. Está prometendo fazer eventos paralelos aos Jogos Mundiais da Natureza em Foz do Iguaçu nos dias 27 e 28 deste mês, com o temário voltado para o exame da globalização, o que pode ser feito na esquerda e a reestruturação do PDT no Paraná. Tem todo o jeito de terrorismo bravateiro, parecido com o primeiro impulso de disputar o governo do Paraná, bobagem insustentável.
É o tiro ao alvo com espingardinha de rolha. O atirador de bombacha.
SPRAY Emília Belinati não aceitou entrar em fria como a de assumir o ônus de despejos de sem-terra. E fez muito bem. Quem criou Mateus que o embale.- Um pacotaço legislativo é proposto por Taniguchi para terceirizar serviços públicos. Só falta fazê-lo com a comunicação como a Copel. Aliás, como está terceirizado o setor! O que tem de mediador privilegiado substituindo servidores públicos é acintoso. Inclusive e especialmente no Palácio Iguaçu.- A propósito, a Página 1, que divulga os Jogos Mundiais da Natureza, esclarece que os pára-quedistas da tragédia não estavam treinando para a competição.- Diz ainda que os Jogos observarão normas internacionais de segurança de cada modalidade. Obviamente é preciso muito apoio em climatologia, pois o El Ni¤o anda por aí.- Sai Vitório, entra Severino. É a nova cara do PSB. Engov, por favor.
FOLCLORE Lerner sempre se ligou em dois Marx: em primeiro lugar, o paisagista Burle Marx, que convocou para a toalete do Centro Cívico, e o genial Grouxo.





