Paraná por cima?


Normalmente com a postura de um asceta em política nacional, o Paraná resolve sair do casulo e tem, até agora, um candidato a vice presidente, o Paulinho Pereira da Silva na chapa de Ciro Gomes, e pode emplacar outro, o surpreendente senador Requião na convenção nacional do PMDB. Na pior das hipóteses, pois dificilmente os dissidentes levam a melhor, o paranaense fica exposto na mídia com essa movimentação e ganha mais alguns pontos, seja na disputa para o governo estadual ou a reeleição no Senado.
Como Roberto Requião sempre vem com tempestade, como se ele próprio, qual um personagem mítico, as provocasse, mais uma decisão do STF acaba de atingí-lo num procedimento da justiça eleitoral que o acusa de, em 1992, haver dado cobertura a um incidente de militantes contra fiscais do TRE. Recentemente jornais noticiaram que havia perdido, também na instância superior, questão relativa ao recebimento indevido de 13º, quando prefeito da Capital, numa ação popular movida pelo advogado Edson Feltrin. A decisão determina que devolva aos cofres públicos o correspondente à gratificação natalina.
A aura de Requião é essa, de incidente e luta. E deve ser essa circunstância, fora seus inegáveis talentos, que levou a ala rebelde do PMDB nacional a apoiar a tese da sua candidatura presidencial, mesmo que tenha um mero sentido de cobaia. Assim, quando temos um governador que dispersa o seu potencial, quando tinha todas as condições para constituir-se num ator nacional, há essa compensação do vice da aliança trabalhista, liderança máxima da Força Sindical e que é natural de Porecatu e que estudou na infância em Londrina, e essa possibilidade, ainda que remota, do senador Requião.
Nas duas vezes anteriores, no PMDB, em que Alvaro Dias e Requião tentaram postular a presidência, ambos deram com os burros nágua: o primeiro ficou em último lugar depois de Iris Rezende, Valdir Pires e Ulysses Guimarães e o segundo acabou massacrado por seu antípoda Orestes Quércia, hoje aliado-chave nessa operação para ‘‘melar’’ a aliança com os situacionistas.
De qualquer forma, é importante até para ressaltar a nossa fragilidade em termos de representação nacional quando atuamos, o mais das vezes, a reboque das oligarquias que decidem tudo no Brasil.
BIZARRICE Governo Lerner lembra a seleção brasileira com um detalhe pior: ruim na defesa, é também péssimo no ataque.
AXIOMA Curitiba é uma cidade inconfidente. Dias passados uma jornalista foi ao salão cuidar das unhas e ouviu da manicure, que atende a esposa de um político importante, que ela e o marido vivem sob o mesmo teto só para despistar, já que ficam em quartos diferentes. É mais fácil ganhar um Gol no concurso da Globo do que acertar de quem se trata.
GLOSA Esses processos contra Requião, alguns deles do tempo de prefeito da Capital, dão uma idéia de quanto demorará a apuração e julgamento do Caixa 2.
Curioso é que os peemedebistas querem agora julgamento rápido, mas desejavam que os relativos ao seu líder maior fossem como valsa lenta pra piano.
Os desse governo Lerner - Leasing e Corretora Banestado- por onde andam?

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