Caixa dois, o fantasma


Não bastasse a crise financeira, enunciada claramente nas diástoles e sístoles da Bolsa de Valores e do dólar, temos um fator inibidor para o gordo financiamento da campanha eleitoral: a resistência dos habituais investidores com o receio de que, como no caso de Curitiba, haja uma ‘‘entrega’’ generalizada de supostas tramóias e dos nomes dos contribuintes. Do caixa 2 ninguém escapa. Aquele investidor, que não deseja ver o seu nome revelado por motivos pessoais ou da corporação, entrega a bufunfa para esse destino. Não há como evitá-lo, apesar da hipocrisia dos discursos de todos os lados. Sobre a hipocrisia lembremos que ela é, como sentenciou La Rochefoucauld, a homenagem que o vício presta à virtude.
E a oposição, pretendendo sugerir que ela é imune a essas coisas e procurando faturar politicamente a irregularidade presumida do pleito municipal, insiste com a sua força-tarefa de vereadores a fazer visitas a promotores e juízes para saber como é que anda o processo. Sabe também que isso vai dar em nada porque estabelecida a competência da Justiça Eleitoral o processo, ao contrário do que deseja a oposição, corre em segredo. Há ainda o risco muito claro de todos os atos até aqui praticados serem nulos de pleno direito a não ser que a área competente os ratifique, ainda que sabendo que a qualquer momento a nulidade pode ser aventada.
Muita gente, habituada a operar como gestor financeiro de campanha, também pula fora do processo e as cautelas contábeis deverão ser redobradas. De outro lado até os prestadores de serviços ficarão de atalaia porque muitos deles, gente humilde que distribuia volantes ou carregava faixas, acabaram sendo ouvidos nas investigações, constrangimento que se repetirá na fase judicial. Normalmente quem leva mais grana é a chapa oficial, a não ser em casos em que a vitória da oposição se anuncia como inquestionável. A ala mais ‘‘galinha’’ do empresariado, a clientela que gravita em torno do poder, é a que predomina. Um empreiteiro, por exemplo, pode até dar uma parte a opositores, mas a maior fica para quem está no poder e já anda comparecendo.
BIZARRICE Collor falou naquilo ‘‘roxo’’ como característica pessoal. Quem mais o tem no caso do PFL regional?
AXIOMA Na convenção de hoje do PSDB não há ‘‘zebra’’, a não ser o próprio candidato. Na do PFL, sábado, segundo Rafael Greca, o comando aliado vai ficar igual às seleções da Argentina e França na Copa do Mundo.
GLOSA Consta que no DNA político de Lerner nada há de PFL e tanto que tentou, de todas as maneiras, entrar no PSDB, impedido que foi pelos alvaristas. E quem é mais rico de testosterona no PFL?
EPIGRAMA Rafael Greca chegou uma hora depois do anunciado para registrar a sua candidatura. Explicação: como Lerner falou, a convenção pode ser decidida como num jogo de basquete no último segundo. ‘‘Ganho na 25ª hora’’.
FOLCLORE Como se usou a metáfora do basquete dá para imaginar os dois atletas, Lerner e Greca, o primeiro tentando bloquear a bandeja do segundo. Está aí algo merecedor de um afresco de caráter greco-romano.
CROMO Dia dos namorados: proibido aos jovens pensar no amor impossível, embora todos desejem a paixão mais radical como os adolescentes Romeu e Julieta.
AFORÍSTICO Qual o resultado mais esperado: o de Brasil x Costa Rica ou o dessa simulação política que é a convenção local do PSDB regional?
VINHETA Para a eleição próxima o ‘‘slogan’’: ‘‘nunca foi tão fácil escolher tão mal!’’

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