Jornalista sob risco


Teríamos, como paradigma, jornalistas sob risco? Fazemos muito pouco do tal jornalismo investigativo até porque um dos nossos defeitos de origem é uma relativa dependência do poder público na condição de cliente, hoje felizmente se modificando porque gastaram mais do que deviam. R$ 500 milhões só nos primeiros quatro anos de Lerner.
Quando da passagem da CPI nacional (não a ‘‘gelada’’ e acomodadora local) do Crime Organizado por aqui ficou claro que ou os nossos repórteres, alguns acumulando a condição de políticos, que atuam na área, nada enxergavam ou não podiam mesmo falar e escrever por uma questão de segurança ou até de conveniência. O fato é que se ignorava a relação da classe política que tudo decidia na área da segurança acima do próprio governador como denunciei, no Palácio Iguaçu, em reunião com a cúpula do sistema civil e militar, ainda na primeira gestão.
Martírio e sacrifício passam longe daqui, embora haja sempre o risco de um repórter numa cobertura ser atingido por uma bala que reconheteou como aquela que matou o manifestante sem terra. Por hora a luta para salvar o emprego já é algo digno dos estóicos da igreja das catacumbas.
BIZARRICE Todos dizem que o Brasil nada tem a ver com a Argentina. Cada vez aumenta a impressão de que é mais fácil ganharmos a Copa do que fugirmos desse risco alucinante, quase um clima de sonambulismo.
AXIOMA E como dizia aquele especialista em anagramas: o FMI é o FIM. Essa não dá para tirar de letra, embora a diferença seja de apenas uma.
GLOSA Se Hamlet declamasse o monólogo diante da Cocelpa, de Araucária, ele diria: ‘‘Cheiro ou não cheiro. Eis a questão’’. Detalhe: toda fábrica de papel tem mau cheiro e não há como evitá-lo. É que nem tentar tirar o odor da água mineral Dorizzon, sulfurosa. Sem o cheiro é porque o enxofre se foi.
EPIGRAMA De todas as reações do PFL, a mais máscula é a do Rafael Greca.
VINHETA Trabalhador na fila do FGTS: ‘‘me sinto como um banco na Argentina, absolutamente sem fundos.’’
FOLCLORE Ninguém fala tanto em ética na política quanto o PT que nesse aspecto sobrepuja a antiga UDN de centro-direita como fixação. Pois agora essa especulação em torno da vida particular do padre Roque, sugerindo que ele teria intimidade demais com sua assessora, mostra que o partido não dispensa o jogo baixo. Eduardo Schneider, jornalista, fazendo graça, sugere que o candidato vai mudar de nome para Rocket, um foguete rumo ao espaço. Como Super-homem dos quadrinhos ao vê-lo no alto dirão ‘‘É um pássaro, um avião?’’
Lá se vai rumo à eternidade o ‘‘cristianizado’’ padre Roque. Basta o PMDB rebelde ganhar a parada na convenção nacional.
CROMO E você se mostra perturbada com a relação volátil dos amores de hoje. Ao fundo, ironicamente, numa canção se apregoa o desejo de uma paixão marinheira com um amor em cada porto. Não há eternidade no amor, mas a terna idade dos que são muito jovens e autênticos em todas as buscas do prazer .
AFORÍSTICO Se Greca, o que parece impossível, ganhar a parada do PFL espera-se que Lerner e Taniguchi não tentem imitar o Jim Jones em relação ao partido.
VESTIBA ‘‘O Dia do Fico é quando me acerto sem compromisso com a gatinha.’’
Coisas do vestiba que é contra o provão.

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