Martírio inútil?


Quando Vladmir Herzog morreu nas mãos de agentes do Doi-Codi criou-se um divisor de água na vida político-institucional do Brasil com a aceleração do processo de distensão de Geisel pela substituição do comando do IIº Exército e em seguida do próprio ministro, Sílvio Frota. O Brasil se depurou com a morte do jornalista que se deu quase simultaneamente com a do operário Fiél Filho.
Era o que faltava para o freio na violência de Estado. Pois hoje com a morte do jornalista Tim Lopes consumou-se um martírio diante do grau de liberdade com que o crime organizado age no País, muitas vezes infiltrado nos órgãos que deveriam combatê-lo com a mesma facilidade com que promovem a guerrilha focal nas cadeias e penitenciárias através do Primeiro Comando da Capital, do Segundo Comando e do Comando Vermelho.
A morte de Vlado não foi inútil: irrigou todas as modalidades de protestos desde a missa ecumênica da Catedral da Sé até a letra de Aldir Blanc, aquela que falava do ‘‘choram as Clarices’’, referindo-se à viúva que foi à Justiça e conseguiu o feito excepcional da sentença de um juiz que condenava a União pelo ocorrido, quando até a Justiça temia desagradar os donos do poder.
Há uma guerra civil no País e nós todos, por aceitarmos a banalização desse processo, caminhamos celeremente para o embotamento como se estivéssemos ante uma fatalidade incontornável. Apesar de todo o processo que se seguiu ao sacrifício do repórter, declarações do presidente FHC, da governadora do Rio, das entidades representativas de jornalistas e donos de veículos, a impressão que se tem é que, a despeito da contundência do fato e do compromisso que as autoridades dizem assumir no combate ao crime institucionalizado, há muito ceticismo de que estejamos diante de um martírio como o de Herzog e que ajudou o Brasil a se aproximar da democracia. É que a normalidade a ser alcançada agora, pelo grau de anomia em que vivemos, parece um caminho mais difícil.
BIZARRICE O setor ‘‘soft’’ do PT está sugerindo que o seu candidato, o padre Roque, protege sua ‘‘companheira’’, vereadora Selma Schons, insinuando que vivem sob o mesmo teto. O PT anda obcecado com utensílios domésticos: primeiro derrotou o padre no tapetão e agora procura comprometê-lo com o sofá.
AXIOMA O PT não aprende a lição. Lula foi derrotado porque se constrangeu diante da notícia de que tinha um aparelho de som melhor do que o de Collor. Não soube sair da saia-justa com receio de desagradar a moral burguesa. Agora a tentativa da direção regional em desqualificar o padre Roque, na semana que precede a convenção nacional do PMDB, cheira a oportunismo.
GLOSA Quem parece mais um refém: o Beto Richa ou o Rafael Greca?
EPIGRAMA Requião diz existir pesquisa no PSDB que o coloca no Paraná à frente de Alvaro Dias. Greca afirma ter, uma pessoal, que prova ser ele a única e verdadeira solução do PFL. Depois querem que haja confiança em pesquisas.
FOLCLORE O que é mais fácil ‘‘vender’’: a Copel ou uma candidatura como a de Beto Richa, do PSDB? Se para a Copel, empresa saudável, não houve compradores dá para imaginar a dificuldade para fazê-lo com uma versão de clone inferior à da novela da Rede Globo. Rafael Greca não disse, mas certamente pensou.
CROMO Como você, posseira de gleba onírica, persiste nos meus sonhos?
AFORÍSTICO Lula aliado a Quércia. E depois perguntam por que o risco Brasil?

mockup