Guerra de números



Está se desenhando, como ponto chave do debate eleitoral regional, a questão de números. Osmar Dias, senador da oposição, baseado em dados do Dieese, diz que quando Lerner assumiu havia 210 mil desempregados e que agora, sete anos depois, chegamos a 457 mil. A contestação aos números robustos do governo, dos quais a maioria desconfia olhando simplesmente dentro de casa, na família, vai ser uma das marcas do debate, o que valorizará a presença de instituições e pessoas da área técnica.
Massificando, com esse propalado ‘‘plebiscito’’ a idéia de que gerou empregos à vista (que poucos enxergam até porque se sentem ilhados por desempregados e sub-empregados) e receberá os tributos a prazo, o governo acionou dispositivo forte com figuras como o ator Paulo Betti ou o jornalista, Roberto D’Ávila, em institucionais repetindo a arenga. É claro que pela frequência esse martelar constante serve para proselitismo e numa velocidade que falas como a de Osmar Dias não alcançam.
Essa contestação vai ser feita pelos quatro candidatos oposicionistas e pelos nanicos, também. Isso levaria certamente Beto Richa, se como bom toureiro acertar o miúra Rafael Greca na arena do Madalosso entre frangos e polenta, onde ao invés de sangue jorarrá vinho tinto Dalarmi, a fixar-se na defesa dos feitos do governo, despindo-o da fantasia de independente e de ‘‘novo’’. Soaria extremamente postiço, o que é marca da candidatura, tentar descolar de si a imagem de Lerner, cada vez mais robusto e nesse aspecto muito próximo, ao menos no perfil, de Rafael Greca.
BIZARRICE Rafael Greca tem uma afinidade forte com Luiza Erundina: ela é do PSB e já se declarou pró-Lula; ele bate o pé e é contra a aliança com o PSDB.
AXIOMA Há quem esteja prevendo para o Brasil o que se deu com a Argentina. Nosso povo só não quer que isso ocorra no futebol. De olho na Copa esquecemos, de forma clara, a cozinha.
GLOSA No dia 13 o PSDB aclama Beto Richa, no dia 15 já se saberá o fim da novela ‘‘O Clone’’, mas nunca a do rumo do partido.
EPIGRAMA Em 1965, primeira eleição depois do golpe, tivemos uma convenção do PDC, Partido Democrata Cristão, em que Ney Braga, líder maior, manobrava em favor de Paulo Pimentel e contra a candidatura própria de Affonsinho. Ney ganhou, mas houve forte dissidência. Apesar de Lerner e Taniguchi, mais deputados estaduais e federais, Greca acha que leva a convenção do PFL.
VINHETA ‘‘Um investimento de US$ 10 mil na agroindústria gera um emprego ao passo que no setor automotivo cada vaga exige US$ 500 mil.’’ Osmar Dias desfolhando a margarida do modelo econômico do Brasil e Paraná.
FOLCLORE Não há prova maior da inutilidade do aparato político e burocrático do governo do que o fato de uma só pessoa, o deputado federal Rafael Greca, fustigar e agredir o sistema oficial, deixando-o às tontas. É o maior gerador de notícias no momento da área política. Sua agressividade carnavalesca e talentosa, apesar dos transbordamentos barrocos e rococós, oposta à inércia, quase catatônica, do candidato Beto Richa, chega a ser chocante.
CROMO O espantalho tragicômico, tal qual Chaplin, era um ninhal de pássaros.
AFORÍSTICO Proibir pesquisas eleitorais é a meta de parlamentares. Claro que é dos partidos que aparecem por baixo nas sondagens. Perdedor tem todos os motivos para chiar: perde seguidores e principalmente financiadores.

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