O menos ruim


Muita gente não gostou de um comentário que fiz na Rádio CBN-Curitiba dizendo que nessa eleição, como nas anteriores, me verei obrigado a procurar o ‘‘menos ruim’’. Aplicação sistemática de uma paródia de São Tomaz de Aquino ajustada ao sentido do ‘‘mal menor’’, o raciocínio evidencia que é mais fácil optar pelo menos ruim até pela ausência do melhor.
Não se pode negar uma hierarquia de valores que catalogue os menos ruins. Nesse ‘‘ranking’’ é possível fazer a triagem dos piores e jogá-los para baixo na escala preferencial. Em primeiro lugar não há a menor perspectiva da novidade, posto que a aliança governista esteja tentando nos convencer, num ‘‘teaser’’ de péssimo gosto, que com o candidato tucano teríamos um Paraná de cara nova o que é melhor do que duas caras como aquele deus Janus a que o senador Alvaro Dias volta e meia se refere.
O fato de que mais de 75% dos consultados nas pesquisas não terem ainda um candidato firmado é prova de que escolher o menos ruim também implica em tantos cuidados de avaliação como se buscássemos o melhor. Pelo menos isso nos vacina contra o risco de alienações como a do ‘‘homem providencial’’, um velho horror da política brasileira cevada de populismo.
BIZARRICE Vários candidatos a candidato podem estar simplesmente fazendo cena. Diz-se que um deles afirmou ‘‘eu sou’’ e aí veio a resposta de um cético: ‘‘eu sei que você é, mas isso não significa que seja candidato.’’
AXIOMA O Beto Richa está com muito jeito da França no mundial. Ao menos agora.
GLOSA Diz a ‘‘Folha’’ de ontem que o Pool (de Combustíveis) é que poluiu o Ribeirão Lindóia. É um caso claríssimo de ‘‘Pooluição’’.
EPIGRAMA Bornhausen é o Jim Jones do PFL: de um partido que tinha ministros e o vice-presidente vai virar pó de traque, sendo obrigado, inclusive, a perder sete minutos no horário eleitoral que serão redistribuídos pelo TSE. Com mais um detalhe: não vai poder tornar públicas alianças com Ciro e Serra que beneficiariam o seu variável oportunismo. Bem feito.
FOLCLORE Ontem, neste espaço, disse que o padre Roque teria Maurício Fruet, o pai, e não o filho, Gustavo, como vice na hipótese de sair a dobradinha Lula-Requião. Como Maurício é, há muito tempo, ‘‘encantado’’ isso só seria possível num caso de clonagem ou de ‘‘reencarnação’’. Não seria o primeiro caso de clonagem, pois, conforme Greca, o de Beto Richa é típico. Como faz falta um Maurício para botar o molho de humor em nossa política medíocre.
VINHETA Informa o Palácio Iguaçu que a cobrança do uso das pontes sobre o Rio Paraná será terceirizada, mas a grana supriria o DER. De qualquer forma lembra mais o tempo das balsas do que o das diligências.
FUTEBOL Hermas Brandão promulgou a vergonheira das custas judiciais. Como é interessado no assunto como serventuário da justiça agiu como o futebolista que bate um pênalti em dois toques: armou e concluiu a jogada.
CROMO Rosana usa lente de contacto: ainda bem que manteve o tom original.
Que é o do céu e do mar e nessas coisas não se mexe sem sacrilégio.
AFORÍSTICO A candidatura própria do PFL, segundo lernistas, pode até ameaçar indigestão, mas será consumida como um prato rejeitado no Madalosso.

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