Basta pintar uma crise séria no horizonte e o nosso governador inventa um motivo para viajar: agora vai à Suiça tentar com o dirigente do Comitê Olímpico incluir a sua mais recente obsessão e prodigalidade, os Jogos Mundiais da Natureza, nos calendários da organização.
Essa tem sido uma constante na sua gestão virtual. Como a ruptura dos sem-terra (aliás, eles nunca assumiram trégua alguma) o obriga a ser mais determinado e responsável pelo Estado de Direito Democrático, e a respeitar decisões judiciais, depois das violências de Jundiaí do Sul, que o MST não quer assumir, como se só ele fosse legítimo para cometer ilegalidades, está adivinhando que mais cedo ou mais tarde teremos confronto e isso poderá ser explorado na televisão durante a campanha eleitoral. Exatamente o que fez com Álvaro Dias, na questão do professorado e o que o ajudou a eleger-se.
O governo está quebrado e sua dívida geral, incluindo precatórios, deve aproximar-se de R$ 1 bilhão e meio. Seu guarda-livros não entendeu ainda que a receita é inelástica e a prudência manda cuidar da despesa, tão somente dessa, impondo-se um freio nos delírios de prodigalidade.
Habituado a ficar sob o cerco dos áulicos, que estão proibidos de ver e falar de coisas reais e sérias, daí o prestígio dos anedoteiros em sua equipe (um deles, que lembra o bobo da corte das monarquias, opina sobre pessoas e iniciativas com a mesma desenvoltura com que produz chistes, sua especialidade), é quase anestesiado por essa fauna. Quando a situação aperta, não é suficiente o zelo e o conforto das piadas e viajar é preciso, enfrentar a realidade, não.
Qualquer notícia ou especulação que desagrade é prontamente bloqueada. Como, por exemplo, a da última revista ‘‘Veja’’ anunciando que a Renault pode pisar no freio do projeto da fábrica paranaense. Seria uma extrema deslealdade porque o governo é que está pagando a conta e facilitando tudo, tanto que a indústria está ganhando zilhões sem ter começado a funcionar. Desde o início das conversações, a Renault do Brasil, em Curitiba, emite a média de oito a dez mil notas fiscais. Já está no oitavo formulário de notas fiscais de suas subsidiárias e agregadas.
À essa altura, já há aquela explicação centrada na doutrina conspiratória da história: a especulação é de gente ligada à indústria paulista que estaria temendo o segundo pólo. Enquanto deliramos, São Paulo acerta a rolagem de sua dívida, incluindo precatórios, sem dar a mínima para a CPI, e continuamos como um belo exemplo de cosmopolitismo de campanário com essa tetéia dos Jogos da Natureza e iniciativas congêneres para sugerir que não apenas Curitiba é a terceira cidade do mundo, como o Paraná também pode entrar na listagem.
RECEPÇÃO Foz do Iguaçu tem uma das mais fortes colônias árabes do Paraná. Somando libaneses de origem e seus descendentes no Brasil, há o dobro da população daquele país. Tudo isso conferiu especial relevância à visita do presidente Elias Hraoui e o fato de o governador Jaime Lerner recepcioná-lo também ganha expressão por ser de confissão judaica e no Paraná, em especial, as relações entre esses grupos étnicos ser de elevado entendimento.
ESTEPE Ontem na TV, o Tonelli apontou Requião como candidatura preferencial. É que não há outra e as iniciativas de candidatura própria se deram mal como se viu com a de Samek e as anteriores. É um estepe, estepetê.
CAOS O que houve nas estradas federais anteontem é um sinal acentuado do que virá nas próximas férias: da Praia de Leste a Curitiba, levava-se 4 horas; de Bombinhas, Santa Catarina, até a Capital paranaense fizemos o percurso em nada menos de 8 horas. Veículos com defeito (famílias desesperadas, com crianças à espera de impossível assistência) estacionados à margem do leito, muitos carros-guinchos transportando máquinas avariadas. Aquilo que era comum nas descidas a Santos vai repetir-se no Paraná e Santa Catarina.
BIZARRICE Requião em Curitiba está preocupado com as reformas, não as de FHC, mas as de sua casa, comandadas por dona Maristela, sua mulher. Diz preferir a candidatura no Paraná, mas faz uma palestra nesta semana para 1.300 vereadores do partido em São Paulo, no galinheiro do seu adversário Quércia.
SPRAY Antes de começarem, os Jogos da Natureza já produzem as primeiras vítimas, os pára-quedistas que ensaiavam no litoral faziam treinamentos.- 1.556 inscrições para juiz substituto. Prova classificatória (conhecimentos gerais de Direito) sai dia 21, em Curitiba.- Caíto Quintana prometendo controlar o poder de Aníbal Khury. Quando esteve a pique de ser presidente, no início do governo Requião, perdeu a parada por obras e artes do Aníbal.- Na reforma constitucional, pretende-se manter entre as disposições transitórias o absurdo que obriga a construção da ponte sobre a baia de Guaratuba. Puro agrado ao eleitor desinformado, pois tal obra de arte, de custos absurdos, se liberada para tráfego pesado, detonaria a malha urbana.- MST quer não apenas o direito de invadir como o de torturar e matar (caso Django da fazenda Borborema, apontado como bom exemplo pelo Gilmar Mauro). Aqui ele se nutre da falta de pulso de um governo frouxo, que tenta evitar ser duro e parecer direitista.-
FOLCLORE Se sair acampamento de funcionário público na frente do Palácio, dará para lembrar da piada do Requião, quando prefeito, no momento em que sem-terra e professores acampavam no Centro Cívico. Prometeu ser padrinho do primeiro filho de sem-terra com professor que surgisse daquele evento.

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