Luiz Geraldo Mazza
Da balsa ao pedágio
Houve um tempo em que os rios no Paraná, como em outros pontos do País, eram transpostos por balsas. Era o pedágio, mais aguágio, da época. Era um cartório também como tantos outros do País. Alguns, graças à cobertura política e ainda à falta de recursos para obras de arte, eram protegidos do poder e conseguiam se manter na moleza por longo tempo.
Com Lerner a modernidade chegou a esse absurdo: restabelecemos de forma prática o regime das balsas com obras de engenharia avançada como a do complexo de pontes sobre o Rio Paraná e que dão acesso a Mato Grosso do Sul. Sob a estranhíssima alegação de que não há recursos para a manutenção das pontes, que consumiram mais de R$ 150 milhões, pretende, como é de seu estilo, entregar o sistema, como já fez com a Ponte de Guaíra, à iniciativa privada, o que, traduzido em miúdos, significa a sesmaria das concessões pedagiadas.
O Brasil tem uma tradição que vem longe: governos gerais, capitanias donatárias, que se reproduzem em concessões como a de tevê e rádio ou ainda essa farra das estradas - o mata burro com know how das praças de pedágio. Como não há um controle efetivo, por parte do poder concedente, das planilhas e vigora o predomínio de um esoterismo para explicitá-las e que não convence há de pairar um quadro de suspeita. Aliás, o próprio Lerner criou a maior delas ao cortar, para não perder a reeleição, linearmente em 50% essas tarifas. Ou ele sabia que eram elevadas demais, tanto que as empresas poderiam suportar o corte, ou jogava pesado ao saber que a Justiça lá na frente restabeleceria os valores, como acabou, de fato, acontecendo.
BIZARRICE Com a adesão do padre Roque ao exercício das frases de efeito, o jornalista Eduardo Schneider atribuiu-lhe um novo saque em metáfora da Copa do Mundo: eu sou os Estados Unidos; Roberto Requião é Portugal!
AXIOMA Ambientalistas, concentrados na frente da Cocelpa, Araucária, no dia do Meio Ambiente, insistiam que aquilo não estava cheirando bem. Fábrica de papel e de celulose em qualquer parte do mundo cheira mal. Nem uma cascata com perfumes do Boticário dissimula os miasmas.
GLOSA Bornhausen teria dado aval a peefelistas para se aproximarem de Ciro Gomes. O partido, depois do vexame da Roseana, dá aval pra todo mundo. Isso não evita a emissão de cheque sem fundos.
EPIGRAMA Governo brasileiro sofrerá sanções por causa das matanças de sem terra. Há, além da de Corumbiara e Eldorado de Carajás, ainda em julgamento, a de Campo Bonito, aqui no Paraná, cujo andamento na Justiça é lento, em que a PM executou Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha, em evento já condenado pelo organismo de direitos humanos da OEA. Essa foi no governo Requião (aquela com mais três mortes de PMs, praticamente linchados) e outra, mais recente, na gestão Jaime Lerner, também denunciada.
FOLCLORE O padre Roque acredita que Requião será vice de Lula. Aí ele faz uma dobradinha com Maurício Fruet e ganha a eleição. Tudo tão normal como a vitória da Arábia Saudita na Copa do Mundo. De virada, é claro. O PMDB a reboque do PT não deixa também de ser um caso de inversão de posições.
VINHETA O presidente do Uruguai chamou políticos de ladrões, embora se referindo aos argentinos. Talvez tenha chorado depois por não generalizar.
CROMO Você deixou em mim a tatuagem de um toque abrasivo.
AFORÍSTICO Vamos nos divertir com a bola. Depois virá o saco eleitoral.





