Luiz Geraldo Mazza
A hipótese de Roberto Requião disputar a presidência da República não é tão remota quanto parece. Basta que o PMDB se convença de que precisa de um boi de piranha como das vezes anteriores, com Orestes Quércia e Ulysses Guimarães. A despeito do baixo desempenho daqueles postulantes, o PMDB saiu, em termos de força partidária, como o maior do País nas duas ocasiões.
Se insistir no papel que vem desempenhando como coadjuvante de uma aliança que beneficia o PFL, como se viu no episódio de adesão de Jaime Lerner, o PMDB restringirá, cada vez mais, o seu raio de autonomia, perdendo uma hegemonia que tinha tudo para manter.
Dos candidatos listados, entre os quais o ex-presidente Itamar Franco e José Sarney, nenhum deles tem a força da novidade e do discurso veemente como o político paranaense.
É claro que o Paraná conhece melhor Requião e seu temperamento ciclóide, mas mesmo os seus adversários não lhe negam talento em meio à prática do humor corrosivo.
Para o PMDB regional é indispensável a presença de Requião no pleito. Não há outro nome com seu potencial, quer para disputar o governo, quer para uma corrida presidencial, na qual seria, como na outra, um puxador de votos. Aliás, é visível na insistência com que deputados estaduais como Caíto Quintana e Luís Cláudio Romanelli pregam a sua candidatura no governo em aliança com Álvaro Dias.
Como acumulação de energia, ainda mais quando o Planalto tenta um ajuste entre PFL e PSDB no Paraná, como interesse de FHC num dos maiores colégios eleitorais do País (no Rio de Janeiro será impossível a acomodação com a postura irredutível de Marcelo Alencar e César Maia), a candidatura de Requião, mesmo que colocada apenas na convenção, reproduziria, num âmbito maior, os ganhos que teve nas prévias do PMDB, quando encarou Quércia sem a menor condição e disso se valeu para a sua votação ao Senado por força de uma exposição longa na mídia.
Se sair o acerto entre PFL e PSDB, apesar da má vontade e dos ressentimentos das eleições municipais no grupo dominante (a direção nacional do tucanato percebeu tarde o erro de não aconselhar com a devida firmeza o diretório regional a acolher Lerner), o PMDB pode virar um partido menor no Paraná, se não contar com a candidatura de Requião ao governo. A aliança PMDB-PSDB tem dificuldades notórias com o coral desafinado da bajulação alvarista e de agressões pesadas de Requião. Impensável.
INTERVENÇÃOA autorização pelo Tribunal de Justiça para o processo de Intervenção Federal no Paraná repete uma tradição ritualística que se operou por dezenas de vezes nos governos de Álvaro Dias e Roberto Requião. Não há como protelar o andamento de matéria tão clara, em que pese o esforço da Procuradoria Geral do Estado em ganhar moratória, o quanto mais elástica possível.
Mas o que parece uma situação amarga - a evidência de que o Paraná não paga os seus precatórios e felizmente não se envolveu na fraude que atingiu governos e prefeituras - pode ser transformado em positivo num momento em que negocia a rolagem de sua dívida com a União, toda ela contraída nas gestões de Requião e Álvaro Dias, mas cujo montante, cerca de R$ 400 milhões, é refresco perto dos R$ 1 bilhão e meio de Santa Catarina, isso para não falar nos casos cabeludos de São Paulo, Rio, Minas Gerais, Rio Grande do Sul.
O Paraná é um dos estados brasileiros com melhor perfil de dívida ao lado do Ceará. E o deve certamente há um modelo de gestão financeira que se mostrou eficiente no regime de média e elevada inflação. Com o fim das aplicações financeiras, que permitiam a regulação do fluxo de caixa, entramos numa dieta difícil.
Há uma falha do governo Lerner na administração da despesa, onde gastos supérfluos se tornam intoleráveis numa quadra de escassez. O dispêndio recorde, no ano passado, de mais de R$ 100 milhões em propaganda é incompatível com qualquer idéia de austeridade.
FALARES NACIONAISNa minha terra, Paranaguá, era comum alguém, ao referir-se à expressão animal, dizer alimar. Até nas rodas de futebol dizia-se que um determinado jogador tinha um alimar de um chute. Esse alimar se origina de alimárias, linguagem um tanto quanto arcaica. Em Santa Catarina, em toda área de influência açoriana, ouve-se dos pescadores a expressão grado que substitui graúdo e grande. Mas nós não chamamos pessoas gradas a autoridades e figuras de destaque?
BIZARRICEPaparazzi também atuam na política: aqui no Paraná, quando Canet era governador, os jornais de Paulo Pimentel que o combatiam levavam os seus fotógrafos às artes mais acrobáticas para colher flagrantes do grande adversário a comer de boca aberta ou a fazer caretas. Virou uma gincana para a reportagem captar imagens negativas de Canet. A bronca se fundava numa coisa singela: foi naquele governo que as emissoras de Pimentel perderam a programação Globo.
SPRAYVoltam os rumores de que uma nova montadora viria ao Paraná. - Apesar de crise institucional, agravada com o Plano Real, e que tornou visível a inviabilidade da metade dos municípios brasileiros, há alguns na pauta de Aníbal Khury e de Orlando Pessuti. - Peixes amazônicos estão sendo aclimatados no Paraná: agora há matrinxã num pesque-pague da rodovia Miguel Buffera logo na entrada da BR-277 em direção a Morretes. - Mercosul é mais propaganda, teaser, do que uma evidência de mercado integrado. Tanto que pretentem denominar - veja-se a asnice - o aquífero Botucatu, nome científico dado à nossa imensa reserva de águas subterrâneas, de aquífero do Mercosul. Seria o mesmo que chamar a formação Irati de xisto pirobetuminoso que atravessa vários estados de formação Mercosul.





