Um tema que pode ganhar força na campanha eleitoral é o da ‘‘desparanização’’ da economia nesses tempos de globalização. Enquanto em 1961, primeiro ano da gestão Ney Braga, Alex Beltrão coordenava um plano de ação para dar o máximo vigor ao mercado interno no estímulo à substituição de importações, com Lerner haveria um impacto em direção oposta, isso é financiamento, inclusive das multinacionais para que aqui aportassem num cartorialismo às avessas.
Como ao lado dessas condicionante assistíamos à perda dos nossos maiores grupos como o Bamerindus, a Refripar, Batavo, rede Mercadorama saindo das mãos dos Demeterco para as do Grupo Sonae e agora, no caso mais recente, a Inepar sob comando dos fundos de pensão percebia-se que apenas o setor agroindustrial dava o seu recado e mantinha a perspectiva de dinâmica interna. Só na menor avenida do mundo, a Luis Xavier, Boca Maldita, há um exemplo: Galeria Garcez, resíduo do Hermes Macedo que chegou a ser a maior loja de departamentos da América Latina numa ponta da quadra e na outra o Palácio Avenida, expressão do esplendor do Bamerindus e entre esses dois pólos as Malas Ika.
Depois de perdermos o Badep, cuja liquidação extrajudicial foi pleiteada pelo próprio Alvaro Dias, e agora com Jaime Lerner o Banestado, cuja situação era efetivamente de quebra, também corremos o risco de ficar sem a Copel. Sobre ela o que se sabe é que o governador, apesar da resistência da opinião pública, acha que, resolvido o impasse das ações caucionadas em favor do Itaú, é possível vender 49% das ações, o Paraná perdeu nesse período os seus maiores instrumentos de política financeira e industrial num momento em que os governantes saúdam o fato de estarmos a facilitar tudo para os grupos internacionais aqui se instalarem, como se viu na questão das montadoras.
BIZARRICE Viagens do Lerner são esperadas, mas essa última do Taniguchi, que não estava programada, deu a impressão que foi manobra para fugir do meirinho que iria citá-lo por causa do furo na fila dos precatórios e o tal pedido de afastamento que o Tribunal, felizmente para o prefeito, não aceitou.
AXIOMA Quem primeiro saiu nas denúncias contra o sistema telefônico, quando ninguém cogitava de CPI, foi o jornalista Candido Gomes Chagas, da revista ‘‘Paraná em Páginas’’. Se acham que houve profecia, ele sugere outra: tanto esse caso como o das ferrovias, depois de bem explorados e degradados, voltam às mãos do poder público. Da mesma forma que nas vezes anteriores.
GLOSA Quem foi picado por uma cobra se apavora com mangueira. Isso é Pavlov puro. Imagine-se a dificuldade que os candidatos e partidos terão agora para obter recursos depois dessa onda do caixa 2 do PFL.
EPIGRAMA Fala-se que uma das maiores deficiências do Paraná está justamente na falta de identidade. No governo Alvaro Dias houve mudanças nos símbolos do Estado (bandeira e brasão de armas) derrubadas no TJ e STF. Não bastasse isso cada governo que entra coloca a sua logomarca, o que aprofunda a dúvida.
Como a crise é braba, apesar da decisão ser de três anos passados, Lerner até agora nada fez para restaurar os símbolos.
FOLCLORE Sobre os símbolos do Paraná, a frase do falecido Joffre Cabral Silva em torno da autofagia da terra: ‘‘o lavrador que aparece com a foice à mão está esperando que alguém tente aparecer para ele cortar-lhe a cabeça’’.
CROMO Sabor doce-amargo, campari, da mulher com ciclotimia no amor.
AFORÍSTICO Maior alegria e tristeza do povo é na ida ou na volta de Lerner?

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