Luiz Geraldo Mazza
Lerner, ao criar um novo perfil da economia paranaense, reduziu a dependência que tínhamos de São Paulo em termos de complementaridade. O raio de autonomia, especialmente com a chegada das montadoras e respectiva malha produtiva, se tornou nítido, podendo-se dizer, lá por 19 de dezembro de 2003, a marca do sesquicentenário de nossa emancipação, que depois da libertação política afinal alcançamos a de caráter econômico.
Tudo isso, face aos últimos acontecimentos no PFL, perde o sentido porque no preciso momento em que nos libertamos de São Paulo passamos, no campo da política, a uma dependência intolerável de Santa Catarina. Ela é revelada justamente pelo governador que vive como um tutelado e um refém do senador Bornhausen, um político que não tem a metade da sua expressão em termos nacionais, já que não dispõe sequer de um projeto autonomista do partido na sua região. Isso o levaria, analogicamente, a não ter razões morais para, em nome do poder de barganha do PFL, tentar impor ou estimular uma solução que é sabidamente minoritária nas bases da aliança governista no Paraná.
Louve-se a reação de Rafael Greca porque expõe de forma clara a fragilidade pastosa do governo e direção regional do partido sem pulso para enfrentá-lo. Pelo menos a provocação rafaelista tem um sentido pedagógico para mostrar aquilo que todos sabem: o governador, justamente o que mais condições teve para um papel nacional, é um homem perto da abulia em política, sem punch, sem determinação e despojado de visão de horizonte.
BIZARRICE Se há R$ 900 milhões de ICMS poupados para aplicar por que o governo não paga, ao menos, o terço de férias de milhares de funcionários?
AXIOMA Gente se queixando de muito roubo (assalto, afano de carros etc) no Centro Cívico. À oposição exaltada tudo não passa de redundância e rotina.
GLOSA Membro da CR Almeida ao ver essa consulta popular sobre como aplicar os R$ 900 milhões pensou logo: bem que poderiam pagar parte do nosso precatório.
EPIGRAMA Governo diz ter empregado 700 mil, Dieese afirma que desempregou de 1995 a 2000 meio milhão de pessoas. Enquanto um acha muito e outro pouco, o desempregado, que só em Curitiba anda por volta dos 80 mil, acha graça. Graça da própria desgraça diante de tanta farsa.
FOLCLORE Senadores Requião e Osmar Dias discutiram ontem por causa da CPMF: o primeiro pediu vista do processo para adiá-lo por cinco dias, o segundo propôs a dilação por seis horas. Finda a votação, discutiram e Requião, que já havia chamado Osmar de tchutchuca, acusou o colega de estar votando com o governo. Osmar teria replicado que são contra a CPMF os que sonegam e os que mandam dólares para o exterior. Esclareça-se a quem interessar possa que depois de Mário Pereira, Osmar Dias foi a figura máxima da resistência na queda de Requião pelo TRE no frustrado impeachment.
CROMO O homem volta ao tempo lírico e redescobre a criança que nele mora se a amada, como a mãe no passado distante, o adormece com uma cantiga de ninar.
AFORÍSTICO Santa Catarina, que já havia emplacado uma heroína internacional como Anita Garibaldi, agora ganhou uma santa com Madre Paulina. Só falta eles nos desclassificarem no campeonato nacional e Sul-Minas como já estão fazendo, de certa forma, na política.





