A tendência da maioria das regionais do PFL é pela manutenção da aliança com o PSDB e o PMDB. O fato é incontestável e à medida que passa o tempo e se estreita a margem de negociação e de valorização do cacife do partido tudo se encaminha para aquilo que todos previam antes da operação que fez Roseana levitar nas pesquisas: o retorno, sem festas, ao aprisco.
Enquanto a demora se constituia num fator de valorização, e ocorriam fatos como a não aprovação da CPMF, mais a sequência de denúncias que acabaram atingindo o próprio Serra, o PFL mantinha velas ao vento. Aos poucos, porém, esses fatores deixaram de pesar e as desistências de líderes de arremetidas contra o sistema foram imobilizando o partido. Com toda a pompa do discurso de independência, que já é um recuo em relação ao anúncio de ser oposição, não há mais campo de manobra possível, a não ser que venha traduzido numa operação de traço suicida como o ritual de um Jim Jones.
No Paraná o partido continua correndo o risco de ficar nanico e de não conseguir reprisar a representação que detém agora. Rafael Greca acha que seria o fator de alavancagem, com o que nem todos da bancada federal concordam e muito menos prefeitos e integrantes da bancada estadual. A causticidade das suas frases duras contra o comando não altera a marcha dos acontecimentos e agora a direção nacional, que já assiste a divisão em outros Estados, toma extremo cuidado em tomar posição, pois o tempo da moratória, que deu tanta vitalidade ao partido, se esgotou.
Numa coisa, porém, o PFL tem razão: o não deslanche de Beto Richa apavora e, de certa forma, acaba mantendo a ameaça do nanismo.
BIZARRICE O mata-burro, que ficava na ‘‘servidões de passagem’’ das fazendas, era algo bem parecido e mais honesto e sensato do que a praça de pedágio.
AXIOMA Lirismo suicida seria colocar ‘‘O Menino da Porteira’’ como o fundo musical da praça de pedágio.
GLOSA Antes do ‘‘apagão’’ já anunciado teremos o ‘‘caladão’’ do sistema telefônico por aqui. Duas faces da mesma moeda: a privatização, dada como uma panacéia aos ‘‘colonizados’’, não resolveu coisa alguma.
EPIGRAMA Mestre Ricardo Oliveira, em ‘‘O silêncio dos vencedores’’, trata da genealogia das classes dominantes no Paraná, enlaces parenterais e de poder político e econômico. Pois bem: dois irmãos, Alvaro e Osmar Dias, nada têm a ver com essa raiz tradicional e, no entanto, se constituem num exemplo raro, hoje não encontrado mesmo no Nordeste, de formarem dois terços da nossa bancada no Senado Federal. Vencedores, parenterais, não oligárquicos?
FOLCLORE O governo está em manobra político-eleitoreira com essa estória de perguntar ao público o que deve fazer com os R$ 900 milhões de ICMS que as indústrias passarão a pagar. Por que não explica em que buraco meteram os R$ 500 milhões de propaganda do primeiro governo, os R$ 80 milhões dos Jogos da Safadeza, a mutreta dos títulos podres do Banestado e o que foi gasto de forma inútil no desastrado processo de privatização da Copel?
CROMO Mulher-árvore, no remanso dos caules que se encontram, sorvo a resina-seiva de todo o seu mistério.
AFORÍSTICO Governo fala em equilíbrio e não paga o terço das férias. Lembra o sujeito que come linguiça e arrota faisão.

mockup