Luiz Geraldo Mazza
Quando o vereador de Curitiba, Fábio Camargo, mostrou-se aborrecido com o rumo tomado pela CPI estadual que investigava os telefones e mantinha o foco sobre os supostos grampos estava coberto de razão porque essa abordagem subestimava o que entendia como mais relevante: a exploração desenfreada do usuário e de forma sistêmica. Como proselitismo, obviamente, a hipótese de espionagem fazia ressurgir todo o cenário dos tempos de chumbo, ainda que recentemente, sob as privatizações de FHC, tivéssemos um show de acusações que iam do caso do Sivam, do Bndes, da Vale do Rio Doce e das teles em torno de grampeamento de aparelhos.
Bastou entrar em funcionamento a CPI da Câmara Municipal para que tivéssemos revelada a extensão da irregularidade como os fatos estarrecedores ouvidos nos depoimentos de terceirizados da já famosa Iecsa. Testemunhos sigilosos não contiveram o vereador que manifestou a sua indignação ante o descontrole, a ausência de qualquer fator regulador, do sistema, com assaltos aos usuários por chamadas não completadas, algumas não feitas e atribuídas ao proprietário do aparelho, enfim algo admissível apenas numa Banana Republic.
Claro que para efeito de espetáculo , especialmente no sentido de pressionar o governo, o prato dos grampos parecia mais suculento. Em termos, porém, de prejuízo à comunidade a analogia não se sustentava e quem continua sendo grampeado e no bolso é o usuário.
Ressalte-se, também, o trabalho do Procon que registra no setor um recorde de denúncias e reclamações ao lado das que se dão nos serviços bancários. De fato a impressão que se tem é que mais cedo do que se imagina e, depois de sucateado, devolvem o serviço ao Estado, o que já ocorreu no passado. O que prova que a história se dá como farsa e ainda assim se repete.
BIZARRICE Quem deu paridade entre aposentados e pessoal da ativa no governo estadual foi José Richa. Agora Lerner quer cortar. Só falta o filho do criador entrar nessa por acomodação. O Richa pai ganhou uma eleição porque se valeu da denúncia da aposentadoria precoce de Saul Raiz e depois perdeu outra por ser beneficiário.
AXIOMA Por falar em Saul Raiz essa onda, até de consultoras financeiras que dão notas baixas ao Brasil, contra Lula lembra 1982. O PDS lançou um outdoor com os dizeres Saul Raiz ou um salto no escuro. A oposição grafitou em cima das centenas de propaganda: Saul Raiz, um salto no escuro.
GLOSA Ministério Público tem pedido o afastamento de Taniguchi sob a alegação de que pode perturbar as apurações de sindicância e inquéritos. FHC está mais envolvido, pelo menos na perspectiva do noticiário, em casos como o do acerto para a reeleição e os das privatizações e ninguém pensou em afastá-lo.
EPIGRAMA Copel deu lucro outra vez. E aquelas 29 parceiras, que a Justiça considerou irregulares, também tiveram bom desempenho?
FOLCLORE Requião é visitado pelo Goyá Campos. Espreguiçando-se no sofá, Requião, sério, pergunta ao amigo se ele acreditava em Deus. Como a resposta é afirmativa, Requião replica obrigado pela prova de confiança!.
CROMO Com o efeito estufa quando os vagalumes clarearão a noite?
AFORÍSTICO Em meio à chuva de sábado a observação no Palácio Iguaçu: que bom se fosse água benta, é o que estamos precisando.





