Luiz Geraldo Mazza
No Brasil só falta haver a pretensão de escolher comandos militares por seus oficiais e tropa via eleição direta. O longo represamento das liberdades no regime militar levou aos exageros democratistas e rapidamente incorporados pela Constituição de 1988, já recauchutada em vários trechos, menos neste que consagra o eleitoralismo como o fato depurador das instituições.
Temos eleições para tudo: agora, e esse movimento será desencadeado hoje, até os magistrados a desejam para a escolha dos dirigentes dos tribunais. Que é preciso fazer algo para reduzir a distância entre o juiz de primeiro grau e a cúpula do sistema nem se discute, mas se sabe, desde logo, que isso ameaça a qualidade do sistema, como se viu nas universidades e no Ministério Público.
Ainda nestes dias um dos cardeais do Ministério Público, Luciano Lacerda, em seu pronunciamento de despedida para a aposentadoria, fez restrições sérias às consequências do processo eleitoral por criar, como se dá em São Paulo, que era um paradigma da área, em foco de disputas personalistas e de grupos altamente desagregadoras.
Um risco elementar compromete essa linha de procedimento: o assembleísmo que é, muito mais, o império da demagogia do que do raciocínio. Dá para imaginar a dificuldade de um verdadeiro cientista, uma pessoa séria, ter que fazer concessões nesse ambiente para mostrar-se atualizado. Aí não valem critérios científicos, culturais e acadêmicos e sim aqueles decorrentes da política na sua pior forma de extração. Há, é claro, um pouco de romantismo em tudo isso como havia na visão dos comunistas da Constituinte de 46 que viam, com o seu voluntarismo delirante, um ato revolucionário na concessão do direito de voto aos praças de pré como se isso fosse o sinal do levante próximo e que nunca veio, a não ser por parte justamente daqueles que pretendiam derrotar.
BIZARRICE Governo diz que criou 700 mil empregos, Dieese assegura que de 1995 até 2000 perdemos mais de 500 mil. Quem quiser saber o certo que faça um 21 consultando a Ana Paula Arósio.
AXIOMA Clube de Oficiais da PM já ouviu, em almoço, o Beto Richa e precisa de mais duas datas para acomodar as pretensões de Jamil Nakad, do Prona, e professor Figueiredo, do PSTU até antes de outubro. Como diz o Elísio Marques: A isonomia é a doença infantil da democracia!
GLOSA É mais fácil o alinhamento dos planetas do que o da estrela Rafael Greca no PFL dos astros Lerner e Cassio Taniguchi. Qual deles seria a Ursa Maior?
EPIGRAMA Caminhamos para o fim do outono e afinal o Beto brota ou não brota?
FOLCLORE Sempre os mesmos: Jamil Nakad volta ao cenário eleitoral junto com Roberto Requião e Alvaro Dias, um desfile de figuras carimbadas. Como diz o ex-magistrado Nakad há corações de pedra e caras de pau.
CROMO Senso real, sensorial: o perfume da maçã no quarto escuro da Clarice Lispector, a pubescência da tua pele, a de pêssego sazonado.
AFORÍSTICO Jaime Lerner, aposentado mais de uma vez, está em cruzada contra os inativos. Não lhes concede o abono de R$ 100 e nega-lhes o acesso ao Hospital da Polícia Militar. Pelo jeito vem aí uma operação para moer aposentados.





