Luiz Geraldo Mazza
Quem criar mais fatos políticos daqui até as convenções marcará pontos. Em 1994, Lula estava quase tão disparado quanto agora de FHC, 43 a 16, pesquisa DataFolha, e o Plano Real reverteu, dois ou três meses depois, o quadro. A impressão que se tem é que o governo (aí entram o da União e do Estado) está numa posição inercial e quem toma as iniciativas é a oposição.
Anteontem tivemos um exemplo de criação de fatos quando vereadores e políticos de oposição foram à Polícia Federal pedir aceleração no inquérito relativo ao caixa 2 que a autoridade admitiu, pelos fatos apurados, ser algo indiscutível, especialmente com a denúncia do empresário Paulo Pimentel de que recebeu muito mais do comitê do que o referido na contabilidade oficial. Houve atrito, precedido de uma convocação à imprensa para registrar o evento, e é claro aparentemente a fatura do episódio ganhou a mídia.
Não é a primeira vez que Pimentel influi, com sua intervenção no processo eleitoral: em 1982 uma certidão, solicitada a seu pedido, informava a história da aposentadoria de Saul Raiz que ele próprio, quando governador, assinou e havia pedido para que o cidadão impugnado ocupasse cargo em sua gestão. Depois a justiça poética se incumbiu de punir Richa, que se beneficiara com o fato, ao assumir também a aposentadoria que legalmente merecera como governador. Só que agora a denúncia de Paulo Pimentel é incontestável como beneficiário que foi dos recebimentos de dinheiro do comitê pró-Cassio Taniguchi.
Crime eleitoral, segundo consta, é processado em segredo de Justiça. Aí não dá para fazer algaravia, alaúsa. Desde o começo o caixa 2 é da competência da Justiça Eleitoral e tudo o que o Ministério Público estadual apurou pode ser inquinado de ilegal e capaz de gerar nulidades lá na frente, se mantida a anomalia. Urge lembrar o caso Ferreirinha: Requião só escapou porque o TRE no processo não citou e nem ouviu o vice Mário Pereira, afinal um litisconsorte necessário, o que foi suscitado na última instância. A cautela pode não ser do gosto dos políticos, mas no campo jurídico é indispensável.
BIZARRICE Governo sempre quis justiça rápida quando é autor e lenta como réu.
A oposição também segue a mesma trilha. E depois se queixam da justiça.
AXIOMA Ciro Gomes e Collor no mesmo palanque em Alagoas: quem é o clone?
GLOSA João Elísio, do PFL, Hermas Brandão, do PSDB, Geraldo Cartário, PSL, reunidos ontem na Assembléia. Vão tentar a garantia da aliança e remover as pretensões de Rafael Greca. Querem liquidar a parada segunda-feira. Continuam subestimando os talentos bailarinos e acrobáticos de Greca.
EPIGRAMA O Coritiba vai ter um Ibope menor do que o do presidente Gionédis nas eleições. Já estão pensando em vender a parte da frente do Couto Pereira. Enquanto o Atlético Paranaense constrói, o coxa vende.
FOLCLORE Se o coxa vencesse ontem em Prudentópolis teríamos no Atletiba estádio cheio e memória vazia. Como empatou, haverá saco cheio e cofres vazios, segundo o anarco-coxa Elísio Marques. E pergunta: não estaria na hora de dispensar San Giovani e convocar San Genaro.
AFORÍSTICO Lerner e Itamar Franco papeando em Minas. PMDB daqui não gostou.





