Braço de ferro

Qual a condição básica para um líder maior do que a determinação? Nenhuma.
É a escassez maior do lado do governo Lerner. Não é possível sugerir energia e com um ar de tédio. O último patriarca político do Paraná, Ney Braga, era, antes de tudo, alguém com senso de decisão e comando. Quando escasseia esse valor no núcleo dirigente, o adversário que contar com maior determinação leva a parada. Rafael Greca fez assim na campanha de prefeito, impondo-se como o candidato contra a vontade de Lerner, que preferia Taniguchi. Deu Greca e agora ele está disposto a aprontar o mesmo na sucessão estadual no PFL.
Se na vez anterior, empolgou o partido, no caso ainda o PDT, certamente o fará agora, ganhando o ‘‘braço de ferro’’ contra uma direção intimidada apenas por causa da resistência da bancada federal e do empenho em estender ao máximo a moratória do partido para valorizar-se nas barganhas com o poder central, enquanto se acentuam os desgastes do PSDB e de José Serra. Assim a vingança do pipoqueiro no vexame da candidatura frustra de Roseana Sarney persiste e até a estabilidade fiscal do país se vê ameaçada pelo atraso na votação da CPMF.
Uma certa dose de autoritarismo e de soberba é indispensável nesses embates para o bem da própria democracia. A postulação de Rafael Greca pode ser tida até como desagregadora, mas em hipótese alguma como ilegítima. Forçar na marra a adesão a José Serra e à candidatura de Beto Richa, em nome de supostas ameaças à governabilidade, é algo que tem que ser enfrentado, gostemos ou não do estilo de Rafael Greca. Se verdadeira, se firma. Se falsa, se esboroa.
BIZARRICE Professores foram uma das poucas categorias que tiveram reajuste no governo Lerner. Assim mesmo falam em defasagem de 75%. Os demais estariam bem perto dos 300%. Matemágica é boa pra mobilizar, ruim como argumento sério.
AXIOMA O senador Requião, em outdoors que não explicitam se é candidato ao Senado ou ao governo, reproduz uma frase do Diap como se fosse uma das cabeças mais importantes do Congresso. Na última lista dos 14 ‘‘mais’’ entra o Luís Carlos Hauly, mas não consta qualquer outro parlamentar paranaense.
GLOSA Governo se empenha em extinguir tudo o que é público: Banestado, Copel, Sanepar, IPE e agora até o Hospital da Polícia Militar. Como se não bastasse, insiste em vender a Prisão Provisória do Ahú. Parece até previdência demais.
EPIGRAMA Se Lula ganhar, Brasil vira Argentina. É com esse tipo de raciocínio safadíssimo que se pretende condicionar o eleitor e financiadores do pleito.
FOLCLORE E na guerra de dossiês, que será a campanha eleitoral, o que se salvar estará mais sujo do que pau de galinheiro. Assim mesmo conservará o halo luminoso dos santos em meio a mais titica do que ética.
CROMO Na imobilidade do basalto submerso no Lapo de Itaipu há mais uma pedra que canta a passagem das águas, a deposição das algas e do musgo, o sepulcro caiado das Sete Quedas que reavivará no Juízo Final.
AFORÍSTICO Para o PFL nacional, a resistência de Rafael Greca e de Abelardo Lupion, mais os deputados federais, conta ponto porque valoriza possíveis acertos que ainda possam ser faturados pelo partido. Quanto mais demorarem as decisões maior o desgaste da dupla PSDB-PMDB e melhor cacife para o PFL.

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