Na próxima semana, em Londrina, haverá uma promoção de jornalistas sobre o papel da mídia, a formação profissional, a sua responsabilidade social que extrapola os limites do condicionamento da empresa. Em 1962, se não me pifa a memória, fizemos, nesta mesma cidade, uma espécie de congresso estadual, mas subordinado a um instigante e ajustado tema àqueles dias em que se falava tanto em reformas que eram o avesso das propostas da atualidade. Samuel Guimarães da Costa, que nos deixou recentemente, era o nosso ‘‘guru’’, uma espécie de Gilberto Freire, e foi o encarregado de desenvolver um tema provocativo e que mexeria com os brios de muita gente da cidade: ‘‘São Paulo, imperialismo interno no Brasil?’’
Vinculada aos laços de origem paulista, mas também aos de outras regiões brasileiras, especialmente aquelas tangidas pelo café, Londrina era desafiada, numa espécie de psicodrama, a refletir sobre a questão. Lembro que o vereador Rafael Lamastra, também jornalista, foi dos mais veementes no enfrentamento da nossa ‘‘banda de música’’ reformista e anti-cosmopolita. Descontados os tons da ‘‘guerra fria’’, subjacente ao processo, a provocação valeu, e Samuel, com seu brilho acadêmico, diria do nosso orgulho ancestral da comarca paulista, de quem somos um desdobramento econômico, político e cultural, mas olhava a questão, por uma perspectiva bem daqueles dias cepalianos (FHC mais tarde iria aparecer com a doutrina da dependência), como numa redução do relacionamento entre a América Latina e os States.
Vejam que coisa curiosa: o Paraná ainda hoje é economia de complementariedade à de São Paulo. Ney Braga consolidou um esforço de integração e agora Lerner tem tudo para não romper, mas reduzir, de forma significativa, a dependência. E essa avalanche de investimentos, ainda que irrigada pela guerra fiscal, é uma prova de que o país se descentraliza, embora em nosso caso tenhamos que considerar que haverá uma pesada dívida decorrente da falta de previsão dos gestores e da imposição de uma filosofia delituosa, neoliberal, que considera legítimo e ético tudo o que serve ao mercado, ainda que com o descarte do homem e do trabalho.
Uma das ilusões que cultivávamos era a de que mudávamos a realidade no plano psicossocial pela atuação nos meios de comunicação social. Isso valeu uma perseguição, tanto ou mais obstinada do que o nosso ideário, em IPMs, corte em direitos políticos e de empregos. Passada a fase mais hidrófoba de tudo, vale lembrar que as reformas desejadas nos anos 60, com boa dose de populismo, que era a expressão possível naquele cenário, eram políticas e as de hoje assumem um traço mais técnico, ainda que repetindo clichês adotados no primeiro mundo, esquecendo que aqui, ao contrário de lá (incluam-se aí os States), inexiste malha de proteção social sequer próxima do chamado ‘‘welfare state’’ , o estado de bem-estar, que os furiosos à direita do liberalismo querem expungir em nome da eficácia do capital.
ECOLOGISTAS Quem pensa que o espaço do ambientalismo - aliás exploradíssimo pelas ONGs - tem unidade, há de surpreender-se com as brigas personalistas e de bastidores entre figuras e instituições e que drenam, neste momento, para o arriscado campo da denúncia.
Há mais divisões do que no PT e na CUT. O tempo vai mostrar.
NATUREZA LÚDICASe ‘‘El Ni¤o’’ bater por aqui na época dos badalados e pródigos Jogos Mundiais da Natureza teremos um caso de metalinguagem.
UMA LIÇÃOJornalistas do Paraná acolheram o sentido essencial das campanhas dos bancários e estão, até com alguma vantagem, condimentando com humor a sua campanha salarial. Em tempos pré-recessivos, o caminho é esse: ganhar empatia e, se possível, a causa sem descontrole hormonal. Pedem o impossível? Uma nota de mil reais como piso nada tem de exagero.
Como botaram um zero na nota de cem para virar mil, volto a lembrar da música popular, aqui já referida (a esclerose é sutil, mas avança): ‘‘Trabalho como um louco// E ganho muito pouco// Por isso vivo sempre atrapalhado// Fazendo faxina, comendo no china// Está faltando um zero no meu ordenado!’’ O tema é para tempos inflacionários, porém é didático.
VIAROO centenário de nascimento do Guido Viaro está sendo comemorado com várias mostras e eventos desde o dia 5, na Biblioteca Pública. Viaro era, antes de tudo, um baita gozador. Quando fazíamos o concurso de Miss Paraná (andei por essas também e num tempo em que Curitiba vitoriana dificultava até desfile em maiô), Viaro era integrante do juri. Normalmente dava aulas de desenho em folha branca de papel, tal como Lerner faz hoje com o mapa estadual, para mostrar a diferença entre as ‘‘vênus’’ clássicas quanto à linha anatômica.
A quase totalidade dos pintores modernos sofreu sua influência, alguns mantendo fidelidade aguda como Luis Carlos Andrade Lima, que captou a medida místico-social, Vicente Jair Mendes, e outros que partiram para enfoques menos ‘‘realistas’’, como Fernando Veloso e Renê Bittencourt.
FOLCLOREO prefeito de Pinhais entrou na onda ambiental: colocar um ‘‘chip’’ sob a pele de animais (vacas, cavalos, cães etc) para monitorá-los por uma central de informática. Era preciso pôr um ‘‘chip’’ para controlar deputados na compulsão de criar municípios e não haveria bizarrices como essa.
CROMOVejo nos seus olhos os meus olhos como um espelho e por isso guardo a ilusão de uma proximidade inexistente.
AFORÍSTICOO ato grandiloquente em política não escapa ao ridículo.

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