Luiz Geraldo Mazza
A cara nova
O programa do PSDB no horário gratuito foi bom, bem melhor que o primeiro, mas essa história de que se trata de o Paraná de cara nova não convence. Em primeiríssimo lugar Beto Richa é candidato de Lerner que não é menos novo do que figuras como Alvaro Dias e Roberto Requião que derrotou amplamente. Para que haja a sensação do novo é indispensável alguma idéia que afinal induza a esse entendimento.
Se o objetivo é mostrar, por uma via oblíqua, que Alvaro e Requião estão há muito tempo em campo e já teriam cansado o respeitável público na cantilena moralista ou agressiva, atinge-se a matriz da candidatura, o próprio Lerner que foi o novo em Curitiba, mas lá pelos anos setenta. A acomodação da classe política pelo marketing, teasers e slogans tentando substituir ou até fazer o papel de idéias é um dos aspectos mais deploráveis do momento.
Para se perceber a volatilidade desses achados lembremos do saque daquela campanha em que Requião derrotou Lerner para a prefeitura de Curitiba conduzido nas costas de José Richa, governador, em 1985. Tratava-se do tal Voltar atrás nunca mais. E tanto voltamos que Alvaro Dias e Requião aí estão novamente, depois de derrotados, tentando o retorno. Como profecia, então, o desastre é maior: Lerner voltou à prefeitura de Curitiba por duas vezes e chegou ao governo também por duas vezes, ameaçando emplacar a terceira com a cara nova.
Dá para perceber, embora o PDT esteja fazendo arregimentações em torno de plano de governo, na coordenação do arquiteto Luis Forte Neto, que teremos um campo desértico, sáfaro, no que se refere a idéias. Reproduzir ou reciclar chavões anteriores creditará muito pouco aos disputantes. Quem parece estar cuidando disso, sem decalcar o plano nacional de Lula, é o PT local.
Massa crítica, massa cinzenta. Sem isso teremos a retórica do nada, pastosa e emoliente e é claro a demagogia das promessas e a tensão da troca de ataques.
BIZARRICE Se o candidato é um broto não significa que venha a brotar antes da chegada da primavera. Agora a queda de folhas no outono é normal. Metáforas assim são apropriadas ao momento político do PSDB regional.
AXIOMA O prefeito de Jucimeira, MT, governa a cidade da cadeia onde está por haver cometido assassinato. Muitos que mereciam estar na mesma situação costumam administrar de uma cadeia de rádio e tevê.
GLOSA Maio de 94: DataFolha mostrava Lula 42%, FHC 16%. Três meses depois, com o Plano Real, FHC ultrapassava. Se consola uns, a memória adverte outros.
EPIGRAMA Dos candidatos até agora o mais elegante é o padre.
FOLCLORE Segundo denúncia da Globo, o MST no sul cobraria o dízimo na base de 50% do ganho dos assentados. Quem sabe a aproximação com o Bispo Macedo a reduza à medida bíblica e histórica. 50% não era o máximo da taxação de Lula para uma imaginária tabela do Imposto de Renda?
CROMO O lago secou e na terra fendida a gaivota tenta refazer a paisagem.
AFORÍSTICO A Curitiba lerneriana se esgotou nos anos setenta, mas as pessoas ainda a imaginam assim. Tal se dá com os que querem Romário na seleção.





