Luiz Geraldo Mazza
A paranóia de sempre
Bastou algumas agências que avaliam o nível de segurança dos investimentos terem sugerido uma queda na confiabilidade da praça brasileira, isso em função da liderança de Lula nas pesquisas presidenciais, para que se armasse um clima interno de extrema perturbação. Essas agências que monitoram os países sobre as suas condições técnicas, econômicas e políticas para inversões estrangeiras volta e meia cometem erros espetaculares como a que fez uma avaliação boa para o Banco Nacional alguns dias antes do estouro.
Como o PT levou muito tempo defendendo o calote da dívida, e entrando na tese da necessidade de uma auditoria, paga agora pelo que não fez, pois tanto Lula como o partido mudaram muito o seu enfoque sobre a questão, mais palatáveis que estão, ainda que pleiteando mudança na carga pesada dos juros, o que até pode ser perfeitamente negociável. 75% da dívida externa são de empresas privadas, em maioria multinacionais, mas também as brasileiras, sendo que apenas um quarto é de responsabilidade do setor público.
Todos os candidatos naturalmente reprovaram a postura desses organismos quando não se pode, numa ordem democrática, subordinar resultados eleitorais à conveniência de investidores ou credores, ainda que tenham o direito de fazer as suas avaliações de rotina. Nessa hora há a brecha para o nacionalismo e o exercício de bravatas, uma delas praticada pelo ex-presidente Sarney, com a declaração unilateral de moratória, e que nos levou ao purgatório.
Em tempo de campanhas eleitorais, como a que se anuncia, quando há condições para uma ruptura com o ciclo atual, já lembrando uma era, teremos muitas explorações do gênero, cabendo-nos mostrar, embora dissimulando, que somos maduros para a democracia e dá para usar o fair play contra essa onda.
Lula não precisa abrir mão do seu programa para agradar esse público até porque ganha no campo externo, mas perde no interno. Equilíbrio nas posições para que não falte clareza é indispensável, lembrando, no entanto, que adernadas ao centro e à direita, como essa aproximação ao PL, podem levar à síndrome de Jospin que ficou fora do segundo turno na França por causa disso.
BIZARRICE O 1º de Maio, de data revolucionária, se transformou no conformismo à brasileira, baseado no jogo, com os sorteios, em Sampa, da Força Sindical.
AXIOMA O Brasil está de tal forma pragmático que se um líder nacional fizer uma convocação de todos ao campo a turma cerca o Maracanã e o Morumbi.
GLOSA FHC (logo quem!) aconselhando Lula à humildade e não ficar de salto alto não faz esquecer que o candidato Serra, até aqui ao menos, está de alpargata.
EPIGRAMA Alguns pensam assim: se um dos jovens não morrer de overdose em O Clone a pedagogia contra as drogas fica prejudicada por insuficiente.
FOLCLORE Lerner em Nova York. Isso já foi notícia, hoje não é. É como fazer a barba e trocar de meia e camisa.
CROMO Rosana/ Ana Rosa/ anagrama em flor.
AFORÍSTICO O governo é campeão em manipular números. Disse que há oferta de 300 empregos por dia, descontextualizando dados do Dieese referentes a março. Dieese frisa que de 95 a 99 houve 72 mil ocupações e 184 mil desempregados.





