Luiz Geraldo Mazza
Há um plano b no PSDB
Se a candidatura presidencial de José Serra, seguramente o mais habilitado dos candidatos, não decolar haverá um plano b? O tucano caiu mais de dois pontos na pesquisa Sensus enquanto Lula continuou subindo. Se tal hipótese é alimentada haveria razões de sobra para imaginar igual alternativa na eleição paranaense, uma vez que, a despeito do fato de ser e parecer ser o novo, Beto Richa não sai do lugar e a pré-convenção serviu apenas para tirar as coisas do ponto de inércia em que se encontravam, sem entusiasmar.
Quem mais fofoca em cima do tema é o PFL, ainda atordoado com tudo o que houve de rocambolesco no caso de Roseana Sarney. Quer porque quer vingança a qualquer preço e tenta sugerir que volta ao aprisco se José Serra for trocado pelo neto de Tancredo, o deputado federal Aécio Neves. Há quem compare Serra com um avião que está acelerando na pista e por isso mesmo não tem como recuar. A aceleração impede o recuo.
Esse, porém, não é o caso de Beto Richa, apesar do empenho pessoal de Jaime Lerner em apadrinhá-lo. A máquina é forte, a aliança também, mas o candidato tem limites seríssimos e está na dependência da criação de fatos políticos, menos postiços do que a pré-convenção e sua abusiva teatralidade. Como criar eventos politizáveis é a questão quando se sabe que dentro em pouco estaremos no clima da Copa do Mundo no decorrer da qual haverá as convenções partidárias e precedidas, é claro, das especulações de rotina.
Como o PFL decidiu que houvesse o silêncio obsequioso para as várias alas (das que defendem candidatura própria, ora sob o fogo da pontuação de Sílvio Santos na pesquisa Sensus, às que pregam isolamento e até a volta ao ninho), percebe-se que o partido quer faturar a ansiedade e deixar o governo na base do desespero como já fez com as Medidas Provisórias e a CPMF, aumentando assim o seu poder de barganha, do qual não abre mão. De repente a candidatura própria que estava quase sepultada na região pode animar a um jogo de braço auto-propostos Rafael Greca e Lubomir Ficinski.
Complicam-se as coisas para os lados do PTB com a imposição de José Carlos Martinez, presidente nacional, para que haja obediência de todos em torno do senador Alvaro Dias. Assim, pois, também o espaço oficial começa a sofrer pequenos tremores de terra que nada têm de abalo sísmico até porque se dão na escala Richa e não Richter.
ARZUA, UMA REFERÊNCIA Ex-ministro da Agricultura, ex-prefeito de Curitiba, ex-presidente da Telepar, o engenheiro Ivo Arzua Pereira foi homenageado pelo fato de estar somente agora quitando o seu imóvel junto à Caixa Econômica. E por que essa distinção? Simples: num momento em que a vida nacional é abalada diariamente pelos atos de corrupção na área pública, o caso do engenheiro do Departamento de Estradas de Rodagem e professor universitário ganha destaque. Quando há essa desenfreada busca pelo poder e a riqueza, aquilo que deveria ser a norma no Brasil é a exceção. A mídia fez bem em dar realce ao fato.





