A pré-convenção do PSDB, com toda a sua teatralidade, mais a presença dos cardeais do tucanato nacional, incluindo os caturras Scalco e Richa pai, não parece ter sido o instrumento ideal para a decolagem do Richa filho, o bom de kart, como pré-candidato ao governo. Candidato do pai, que no começo relutou em aceitá-lo por juventude excessiva, e dos ‘‘tios’’ afetivos como Euclides Scalco, Beto Richa não transmite segurança por falta de um sinal de autonomia. Essa condição mina em parte o dado mais forte de que seria o ‘‘novo’’.
Ora o ‘‘novo’’ tem que ter algo além do que o respaldo dos mais velhos para credenciar-se e não um apêndice da gerontocracia. É preciso que ele não seja a continuidade adolescente daqueles que o apóiam e que se mostre capaz de formular idéias e um programa que possa ter ao menos a aparência de ‘‘novidade’’. Repetir, por exemplo, a defesa do que Lerner fez na parte do novo perfil econômico não basta. Se fosse capaz, por exemplo, de atacar os efeitos indesejáveis do processo industrial, pois está visível que continuamos dependendo, pelo menos no que se relaciona às exportações e ao nível de emprego à agroindústria, com propostas novas de organizar a pequena escala, a agricultura familiar e quanto à nossa presença nacional (a falta de representatividade é um fato, um Calcanhar de Aquiles) e idéias criativas sobre segurança em partilha com a comunidade estaria tudo de bom tamanho.
Confiar no ‘‘marketing’’ apenas, embora não tenhamos profissionais por aqui, pelo menos, com o nível de Duda Mendonça ou Nizan Guanaes, para pasteurizar o candidato como estão fazendo com Lula não é bom caminho. Porque de repente, não mais que de repente, o homem, ao tentar formular uma idéia, o faz de maneira desastrada com aquela estória da taxação do Imposto de Renda. O Lula não soube explicitar o que pretendia (a intenção era boa) e pisou no tomate.
Não se pode negar que o fato criado com a vinda de Serra foi bom, mas não é suficiente pelo menos na perspectiva de alavancar o candidato.
BIZARRICE A escatologia toma conta da tevê com o ‘‘Hipertensão’’: no ritmo em que as coisas caminham acabam comendo dejectos e criando o moto-contínuo.
AXIOMA A ciência brasileira deu mancada: um clone de vaca nasceu masculino. O mistério acaba sendo maior do que o feito, que já não era original. Só falta agora uma feminista radical sugerir que foi mais um abuso do machismo.
GLOSA Em circuitos pedetistas rola a hipótese de no fracasso da aliança com o PPS e o PTB o partido lançar Alvaro Dias à presidência ou à vice, o que liberaria o mano Osmar para disputar o governo estadual. Como se vê não são pequenas as dificuldades da oposição e para Requião também.
EPIGRAMA Se na Santa Ceia, com poucos apóstolos, houve um traidor dá para imaginar o que pode ter acontecido no jantar de ontem do PFL.
FOLCLORE O PSDB quase subiu a serra com a vaia que o seu candidato levou ontem no fórum da Força Sindical. E desceu três pontos na pesquisa Sensus.
CROMO Diante das pirâmides se discute a engenharia que as engendrou e dessa, mais desafiadora, das torres de Pisa de papel feitas pelos catadores de lixo.
AFORÍSTICO A esfinge curitibana decifra os que tentam devorá-la.

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