Luiz Geraldo Mazza
O governo faz bem ao defender na propaganda institucional que atraindo as montadoras, por exemplo, ao garantir a dilação tributária, teria assegurado uma poupança de R$ 800 milhões, apesar de haver, só no caso da Renault, aplicado mais de R$ 400 milhões como sócio, sem falar em outras concessões como terreno, infra-estrutura e até a utilização do manancial do rio Pequeno.
Ontem os metalúrgicos, assessorados pelo Dieese, mostraram que em março a produção de veículos cresceu 13,75%, mas que no trimestre, relativamente a 2001, teria caído 25,10%, o que se repetiu no território nacional. Mas a tão decantada geração de empregos diretos não é a Brastemp enunciada, pois havia nas três montadoras, mais as produtoras de máquinas agrícolas, apenas 7.650 trabalhadores, o que está muito longe das previsões otimistas na arrancada desse novo processo de industrialização, importante, mas cheio de problemas.
Outro detalhe: o decantado emprego agora e a poupança depois não é tão singelo quanto sugere a propaganda razoável do poder público. O processo desencadeado é relevante, concede autonomia ao Paraná em relação a Sampa, é agregador de tecnologia e intensificador de capital, porém não é criador de empregos como no passado. E com mais um detalhe: o salário é baixo e o metalúrgico não é mais a aristocracia obreira do passado recente.
BIZARRICE Que tal trocar os marqueteiros por um endocrinologista para ver se afinal de contas o Beto Richa começa a crescer?
AXIOMA O governo aposta menos no potencial do seu candidato do que na certeza de que todos os demais Alvaro Dias, Requião, Padre Roque, Rubens Bueno devem murchar. Quem o diz são os sábios, os alquimistas modernos, os aprendizes de feiticeiro do marketing. A arte de enganar não tem limites.
GLOSA Às vezes é mais fácil fazer o caixa 2 do que o candidato número dois. E por uma questão de economia e rapidez apela-se para o custo-benefício.
EPIGRAMA Quando teremos um veículo de oposição, de verdade, no Paraná? Não essa independência fingida e mal dissimulada que costumamos ver e muito menos a oposição circunstancial, de ocasião, para acertar algo lá na frente. Um jornal ou rádio ou tevê não-partidário já é o suficiente. Esforcemo-nos.
FOLCLORE O padre Roque afirmou que não será o Lionel Jospin (o socialista da França, derrotado, e que foi apoiado por Lula) do Paraná. Bastou isso para que o jornalista Eduardo Schneider, insistindo que o padre anda chiquérrimo, que ele está mais para Saint Laurent, Pierre Cardin ou Christian Dior. O exagero e a caricatura sempre se revelam didáticos.
CROMO O caracol, se fosse criminoso, não deixaria o seu visgo na passagem.
AFORÍSTICO Até os filósofos perceberam que a poesia é a reveladora da essência e isso não faz parte da ontologia, com suas complexidades verbalísticas. Vejam como é fácil apurá-lo em João Cabral de Mello Neto quando trata com agudeza e sem ornato da faca só lâmina.





