Luiz Geraldo Mazza
Sempre nos embates entre o magistério e o governo tanto um lado quanto outro têm se valido de um recurso para defender sua posição: o oficialismo mostrando os salários mais altos, que naturalmente não constituem a massa de servidores, e os professores exibindo o contracheque dos que ficam na periferia. Agem, aliás, como os políticos em campanha eleitoral que com esses valores pinçados e usados como técnica de prestidigitação tentam fazer a cabeça do público. Não há categoria no serviço público que tenha o acervo experimental em pressões, sob a forma de greves ou operações tartaruga como o acumulado pelos mestres, o que não tem evitado o acúmulo de derrotas.
Nesse último ato, que culminou com uma sinalização do governo para melhoria, o que não deixa de ser um avanço, a imprensa divulgou os salários de alguns dos dirigentes sindicais, o presidente Romeu Gomes de Miranda inclusive, com reajustes superiores a 130% registrados no governo Lerner. Faz parte, como diria o erudito Kléber Bam Bam.
Esse tipo de informação ou contrainformação tem impacto, mas nem por isso elide as razões dos professores. É confundir a árvore, novamente, e de forma didática, com a floresta, tal qual quando o governo afirma ter retirado das ruas 70 mil crianças ou ao prometer sa© úde a custo zero aos barnabés, o que, se verdadeiro fosse, seria uma forma de salário indireto.
BIZARRICE A aliança trabalhista pode implodir no Rio Grande do Sul e Paraná. Lá, Antonio Brito está à frente das pesquisas, aqui o Rubens Bueno nem aparece, mas pode melhorar. O PDT de lá é exclusivista e quer desalojar o PPS, o daqui não. E no PTB há tantos lerneristas quanto no PFL e PPB.
AXIOMA Um deputado quer o ensino do orçamento público nas escolas. Está aí uma forma de provar aos alunos que álgebra não é a pior coisa do mundo.
GLOSA Lerner marcou para 13 de maio a solução do governo ao aumento dos mestres. Pelo jeito quer dar uma de princesa Isabel com a lei Áurea ou pelo menos sugerir que assim está agindo. Segundo o magistério não houve sequer a lei do Ventre Livre e a dos Sexagenários em favor da classe. Podem estar indignados, mas não perdem o humor e nem a ternura, conforme o Chê Guevara.
EPIGRAMA O feito de Le Pen na França lembrou o de Plínio Salgado, em 1955, ao vencer para presidente da República em Curitiba e Ponta Grossa.
VINHETA A queda da candidatura nata no STF é outra medida que não vai agradar a classe política, embora seja o fim de um privilégio insustentável numa ordem democrática e que se fixe no princípio da igualdade e das maiorias.
FOLCLORE Se tudo continuar nesse embalo, o Brasil ainda cai numa democracia. Melhor do que o que sempre acontece: a democracia cair no Brasil.
CROMO Os olhos do menino na sutileza do amarelo-ouro da laranja.
AFORÍSTICO A CPI da Telefonia do vereador Fábio Camargo é mais importante do que as feitas no Legislativo estadual e que pretendiam tão somente encurralar o governo no problema dos grampos. Agora, a idéia é enfocar a roubalheira sistemática das teles e feita de forma escancarada.





