O mesmo espanto e perplexidade que os franceses da esquerda demonstram diante da eleição de Le Pen, direitista zoológico, para o segundo turno muita gente está revelando diante da ascensão de Lula nas pesquisas, agora com 39 pontos e, se mantiver o ritmo, chegar à vitória com facilidade. A dosagem de Duda Mendonça está sendo decisiva: o metalúrgico, com roupa e jeito de classe média média em transição para a média alta, se torna palatável e seu recado, apesar de próximo ao ‘‘centro’’, é bem assimilado.
Seria uma injustiça aproximar Le Pen, extremista da ultradireita, de um Lula que a cada lance se revela mais conciliador, sugerindo, é claro, que ele é a mudança, posto que não indicando saídas claras para os problemas nacionais como o do ajuste no caso das dívidas externa e interna. Esse marketing vai remover a montanha de preconceitos, se mantido nesse diapasão e percebe-se que há imobilismo do lado aliado, hoje sob tensão, que não gera fatos novos e nem concede qualquer indicador aperfeiçoado para Serra.
Quem deve estar rindo com as pesquisas é o PFL, menos pela vantagem que possa auferir e mais pelo impacto nas partes baixas dos tucanos, o que vale mais do que qualquer tipo de retaliação que venha a imaginar. Enquanto isso o governo federal (e também o estadual) se vê sob pressão das greves e manifestações sociais, especialmente do funcionalismo sob arrocho. O pessoal da Receita Federal apronta a sua em cima dos últimos dias para a apresentação das declarações de ajuste anual.
BIZARRICE Enquanto os professores berravam por salários na frente do Palácio Iguaçu o governador se mantinha no ‘‘Chapéu Pensador’’, aquele que pensa e age por todos nós. O labor de Lerner oposto à ‘‘ociosidade’’ nervosa dos mestres.
AXIOMA Esse alambrado, agressivo e de mau gosto, colocado no Palácio Iguaçu para impedir a aproximação de manifestantes provou, uma vez mais, ser tão ou mais vulnerável que a defesa do Felipão.
GLOSA Na Segunda Guerra Mundial, quando se acreditava que os combates se dariam como na Primeira em trincheiras, um francês, Andre Maginot, criou uma linha que acreditava inexpugnável e deu-lhe o nome de ‘‘maginot’’. Os alemães desmontaram a parafernália com a maior facilidade. No Centro Cívico a dupla Lerner-Taniguchi ‘‘imaginou’’ que tinha uma linha insuperável.
EPIGRAMA A Queda do Muro de Berlim nada tem a ver com a transposição da cerca de ferro do Centro Cívico, mas há quem veja nisso alguma analogia.
FOLCLORE Uma sugestão para a segurança do Centro Cívico bem melhor do que o alambrado que agrediu fundamentos culturais e históricos, já que a área é tombada: criar gansos, cachorros de polaco, devidamente amestrados para que com o seu grasnar despertem o governo, mesmo que esteja na Casa do Chapéu, e também, é claro, afastem os importunos.
CROMO Na janela a cidade iluminada pelo fim da tarde ameaça invadir a sala: seus tons mexem com os móveis e as paredes e nos convocam à rua.
AFORÍSTICO Pelas pulsações do mercado financeiro em relação às pesquisas dá para perceber se já se habituou ou não com a idéia de Lula presidente.

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