Luiz Geraldo Mazza
Pefelistas não conseguem despressurizar: comido pelo ressentimento e o fiasco de Roseana, o partido está que nem cachorro caído de caminhão de mudança, sem bússola e sem saber a que aprisco se dirigir. Sugere um texto do Estadão que Lerner, com sua insistência em defender a aliança com o PSDB e FHC, corre até o risco de expulsão, hipótese também enunciada por Abelardo Lupion, chocado com o estreitamento da perspectiva do partido.
O fato é que, segundo pesquisa da Veja, pelo menos no momento, a tese do governador não alcança 10% dos partidários, isso em enquete feita no parlamento. A dor de cotovelo é recente demais para ser curada e no meio das bravatas uma a mais ou a menos em pouco altera o quadro.
Que o PFL não é solidário deu para ver no ocorrido com Belinati aqui na terra e, de certa forma, também na escorregada do seu cardeal ACM na maroteira do painel do Senado. O PFL aqui vai carecer de um puxador de votos se não tiver um candidato viável no pleito majoritário, seja ao Executivo ou ao Senado. Greca é o único a ter esse perfil e não pode ser subestimado porque seu estilo, parecido ao de Requião, já anteriormente colocou Lerner contra a parede, impondo-se como candidato a prefeito de Curitiba quando, já àquele tempo, a preferência do líder maior era em favor de Cassio Taniguchi.
Se Greca tiver apoio do partido e convencer a maioria de que sua postulação é uma saída não apenas honrosa como também a única possível para uma referência como puxador de votos, mesmo que derrotado, será uma espécie de cordeiro para um holocausto satisfatório, com todo o currículo ministerial. Apontado como o afundador da Nau Capitânea, pode aparecer agora como o personagem da cantiga de roda que tirou a barquinha do fundo do mar.
BIZARRICE Quando Chávez caiu na Venezuela sugeriram por aqui que o pé frio havia sido Lula. Só que com o retorno, a caricatura perdeu o sentido. Agora é caricaturado de novo por ter dado o beijo da morte em Jospin. Só falta agora o socialista ganhar na repescagem.
AXIOMA A adernada ao centro foi apontada como a causa da queda de Jospin, já que o seu discurso ficou próximo ao de Jacques Chirac. No Brasil não há esse risco porque não temos radicalismos com densidade eleitoral. Mas a tática de Lula e da esquerda em geral (vide o namoro com o PL), se é que podemos assim considerar Ciro Gomes e Garotinho, é ir além do centro até à direita.
GLOSA Justamente quando na Europa (ou pelo menos França e Alemanha) a direita leva a melhor, o PFL descobre-se sem um candidato viável.
EPIGRAMA Se o nacionalismo é condimento eleitoral na sociedade glabilizada, como se deu na França com Le Pen, o Enéas pode ter chances por aqui?
FOLCLORE Sobra dinheiro na Lunus e o delegado federal que vinha até Curitiba para inquirir o Hubner não pôde fazê-lo por falta de grana.
CROMO Miríades de arco-íris nas Cataratas iluminam o vôo dos andorinhões.
AFORÍSTICO Socialistas deixaram de votar, todavia tomaram as ruas de Paris para o ritual que mais adoram: o mito das barricadas e o quebra-quebra.





