Num momento crucial do quadro político, em cima da fixação das normas para as coligações, há de esperar-se dos presumíveis candidatos um mínimo de cuidados em termos de concentração. Os profissionais da área tomam as cautelas e fazem o monitoramento de tudo que está ocorrendo. Alvaro Dias, Requião, o padre Roque e o próprio Rubens Bueno a tudo acompanham, não se recusando a interpretar as decisões. Todos, menos um: Beto Richa que anda no exterior como se imitasse Jaime Lerner. Só que Jaime primeiro se elegeu para depois sair por aí em viagens internacionais.
Estacionado até agora num ponto de inércia nas pesquisas, Beto Richa, dando vazão à sua juventude, faz peregrinação a Miami, depois do cursinho que fez em Seatle. Talvez os movimentos sinuosos do Flipper, o golfinho, subindo e descendo, sirvam de sinal pedagógico para os riscos que corre. Já ir em busca do Zé Carioca, do Pato Donald e, em especial, do Tio Patinhas lhe sirva para lembrar que é preciso investidores e uma contabilidade que evite lembrar o até agora constrangedor caso do Caixa 2. Mas o Tio Patinhas das campanhas só adere quando o candidato mostra vigor, empenho e sinalização nas pesquisas, o que não acontece pelo menos até agora.
Dispensável procurar o Pateta. O que há de paradigmas no ‘‘staff’’ oficial que lembram o agradável personagem não está em gibi nenhum. É o que mais prospera por aí quando tanto se necessita de figuras ágeis e matreiras como o Huguinho, Zezinho e Luizinho, sobrinhos do Pato Donald. Quac, quac, quac.
BIZARRICE Nos Esteites lançaram bonecos do tipo Barbie enfocando Bush (herói), Blair (aliado) e Bin Laden, este o vilão, de ‘‘drag-queen’’. Na sociedade do espetáculo e do marketing, isso é normal. Só que o ataque às torres significou mais do que um índio flechar o chapéu do Tom Mix e do John Wayne. De qualquer modo a reação é mercantil (US$ 26 cada boneco) e melhor do que o vudu.
AXIOMA Pegaria muito mal para o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, e o Corregedor da Casa, Caíto Quintana, trabalharem agora pela derrubada do veto do governador ao aumento das custas judiciais que só interessa aos cartorários e que tornaria inviável o acesso do povo à justiça.
GLOSA Corporativismo, conforme o caso, como tenho dito, é porcorativismo.
EPIGRAMA Essa discussão sobre coligações e o seu respectivo enquadramento geométrico poderia ser resumida assim: na vertical estão os políticos e as classes no poder e na horizontal o povo, como sempre.
FOLCLORE Sexta foi ‘‘Dia do Índio’’ (segundo Baby do Brasil e seu ex-marido Pepeu Gomes ‘‘todo dia é dia de índio’’) e houve quem lembrasse aquela caricatura de música de que o índio quer apito. Hoje o apito não serviria porque sumiram os guardas de trânsito substituídos por armadilhas eletrônicas e não ser que fosse para fazer zoada em manifestações de massa.
CROMO Marcel Proust lembra da memória e dos odores e nós do cheiro forte do material escolar (o penal ou estojo), no grupo escolar, o pão com banana rescendendo na sacola.
AFORÍSTICO Imaginem se Alvaro Dias ficasse no PSDB o que haveria.

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