Luiz Geraldo Mazza
Numa sociedade, em que a violência é banal, não espanta que formas cruéis de criminalidade acabem se impondo. A morte do pedreiro Juscelino, em Formosa do Oeste, cujo corpo foi encontrado com 100% de queimaduras, remete a outros fatos semelhantes que se deram de forma quase cíclica em diversas partes do País como ligados a uma cadeia epidemiológica, dessa a que se referem os estudiosos da patologia criminal.
O fato de maior repercussão foi o do índio Galdino, filho de cacique caiapó, em Brasília, por um grupo de jovens de altíssima roda. Entendia a juíza, que presidiu o caso, que não tinha havido dolo e classificou o evento como o de lesões corporais seguidas de morte. A mobilização da sociedade e o dado muito importante de que se tratava de um índio, o que movimentava ainda as ONGs, levaram à corrente de indignação que tomou conta do País e pelo exercício da pressão evitasse que tecnicalidades jurídicas impedissem a punição.
Seria lastimável para o Paraná e não é o primeiro evento do gênero já que em Piraí do Sul meninos de rua provocaram a morte de um mendigo ao expô-lo de forma cruel ao relento e ao frio, causa eficiente do desenlace que um episódio como esse, por qualquer circunstância e ausência de elementos probatórios, permanecesse impune. Autoridades estão desafiadas a dar essa resposta e com a máxima presteza. Se isso não for feito corremos o risco de que o embotamento tome conta da sociedade, minada pela apatia e o conformismo.
BIZARRICE Uma explicação de que perdas de soja no Porto de Paranaguá se davam por causa das pombas que comiam toneladas desse resíduo volta a ser questionada. Há quem diga que se as pombas comessem tanto estariam hoje com o tamanho, no mínimo, de um urso polar.
AXIOMA O Paraná exportou US$ 1,2 bilhão de material de transporte e importou US$ 1,1 bilhão em 2001 e o governo comemorou como um feito. Na economia como no futebol empate não é vitória. Urge aumentar as taxas de nacionalização do parque automotivo para ampliar o raio de autonomia. E a situação cambial o favorece.
GLOSA Beto Richa está aprendendo a fazer política justamente com Jaime Lerner, provavelmente seu principal eleitor: nem ganhou o pleito e já vai para Seatle.
EPIGRAMA A história do gol contra da bancada senatorial, não se pode negar, é bem sacada e pegou bem. Os senadores tentaram mostrar indiferença, mas o PMDB quer retirar o anúncio do ar, prova de que botou a carapuça.
FOLCLORE Na eleição à prefeitura de Curitiba, uma das mais radicais de nossa história, de 1985, Paulo Pimentel se apresentava como o mais corajoso dos candidatos (a disputa se tornou plebiscitária entre Requião e Lerner). Costumava dizer, batendo fortemente no peito, que era o mais macho. Em duas dessas batidas teria detonado os microfones.
CROMO Busco, no silêncio da noite, ouvir seu coração e as batidas do meu estão mais fortes e menos compassadas.
AFORÍSTICO Não apenas a Roseana, mas todos os políticos, até mesmo o Lula, que teria tudo para ser o mais natural e autêntico, aceitam ser confundidos na propaganda como sabonetes, dentifrícios, utensílios domésticos.





