Luiz Geraldo Mazza
Uma das esperanças de reversão de expectativas, cada vez mais sombrias, quanto ao futuro imediato do Paraná estava na idéia de que Lerner aderindo ao PFL obtivesse maior fluidez em nossas reivindicações. Como o governo federal está matando cachorro a grito, ao ponto de estrilar contra a idéia de as tetas da loba romana estatal amamentarem as eleições em R$ 400 milhões (já que os políticos do PMDB, especialmente, porque estão por baixo, alegam que o apoio de empresas é eticamente intolerável), não vai ser fácil essa conquista, ainda que não impossível.
Há uma atmosfera generalizada de calote no Paraná: além dos precatórios (nos quais está atolado em dívidas que ultrapassam meio bilhão) e das dívidas com empreiteiros, fornecedores e prestadores de serviço percebe-se que o governo não abre mão do triunfalismo lúdico (os Jogos da Natureza são um desperdício para a conjuntura inqualificável em termos de custo-benefício) e concede às multinacionais aquilo que não dá aos empresários da terra.
Queimou, no ano passado, mais de R$ 100 milhões em propaganda, o que prova que naquele instante não seguia o raciocínio do seu secretário da Fazenda, Miguel Salomão, não originário da sua falange, mas um scholar (quando foi convocado estava montando o Banco Central de Angola para o FMI), que advertira ser a gestão financeira um problema de administração da despesa por estar a receita engessada e num estágio de nenhuma elasticidade. Agora o secretário que o substituiu pensa em resolver o problema com a pressão dos fiscais, o caminho mais curto para anomalias e fraudes.
Amanhã, o Órgão Especial do TJ julga um pedido de intervenção federal por causa do não pagamento de precatórios requisitórios, um da ordem de R$ 120 mil e outro, que ingressa como litisconsorte, de R$ 34 milhões relativo ao grupo Rocha Loures (o grilo Areia Branca do Tucum). Os governantes não dão a menor bola para os rituais intervencionistas como se viu no caso de São Paulo e apenas se mexem com a repercussão na mídia. Lá Mário Covas, que enfrenta um ciclone perto do mau tempo de Lerner, adotou o parcelamento das dívidas se mostrando mais responsável.
Esses fatos são incontestáveis, a falência do governo que não se dá apenas aqui, mas em todos os níveis e, é claro, que oposicionistas como Álvaro Dias e Requião irão explorá-la, como se Lerner fosse o culpado de tudo, o que não é verdadeiro, mas politicamente tão legítimo quanto mostrar a Polícia Militar batendo nos professores como obra de quem estava no Palácio Iguaçu. A malícia é indispensável ao exercício da política, aqui ou no Reino Unido, onde o grande Hobsbaw está vendo uma apropriação pelo primeiro ministro, pela Coroa e a mídia no aproveitamento e manipulação da morte da princesa Diana.
TELEPAR Vem aí uma campanha da Telepar para destacar os feitos de Álvaro Dias (é claro que isso deve ficar subentendido porque a lei não permite o uso da personalização) na rede de fibra ótica e celulares. Na lista, para dar aqueles manjados testemunhos, figuras populares como Maguila e Derci Gonçalves. São o Tião Macalé do Affonsinho que, quando candidato presidencial, parecia dublar a Xuxa com seus papos com os baixinhos. A produção vai ser da Master, aquela do Bráulio, o pênis humanizado.
NO BASQUETE Mário Pereira, ex-governador, na planície voltou ao exercício de sua profissão de engenheiro elétrico na Sade-Vigesa. Tem que dar duro e não está em condições de encarar uma campanha eleitoral por falta de grana.
LÚDICO O Giovani Gionédis, por ter observado que o Alles Bier não dava nota fiscal, está fissurado no assunto e pergunta até as pessoas em shoppings se pedem ou não o documento e se espanta com a quase unanimidade negativa.
Agora baixou nos frigoríficos porque sabe que embaixo da farofa tem linguiça. Só que o assunto é mais sofisticado do que imagina com as firmas fantasmas, bem mais ocultas do que os protocolos concessivos das montadoras.
BIZARRICE Se Lawrence Olivier interpretasse Hamlet na Federação Paranaense de Futebol ao se referir aos podres da Dinamarca o clima seria exato porque dos seis sanitários masculinos quatro estão lacrados e há miasmas infernais. Tudo porque a FPF não pagou a Sanepar, como de resto não paga ninguém com o que acaba imitando o governo estadual.
SPRAY Lerner grava hoje em Sampa com Juca Kfuri, almoça com John Saad da TV Bandeirantes e provavelmente badala os Jogos da Natureza com Luciano do Vale.-
Bruno Lopes, ex-Ibope, mostra que só 17% dos eleitores levam em conta o partido e que a maioria deles está nos nanicos ideológicos. O que é quase nada.- Juíza de Loanda, que ameaçara Lerner e autoridades de bloqueio dos seus bens (o secretário de Segurança, comandantes da PM e do Policiamento do Interior) se continuassem descumprindo ordens judiciais, volta à carga. A UDR pressiona.- Imaginem se houver decisão de despejo perto de 7 de setembro, dia do grito dos excluídos que a Igreja e o MST vão fazer. Teremos mais pobres em desfile do que militares. Pelo menos no cálculo dos basistas.-
FOLCLORE 64 começou com marchas da Igreja com a elite. Agora com a pobreza. Mas essa não emplaca. O mocinho só ganha no cinema e em história em quadrinhos. A vitória é do Pinguim e não do Batman. Do Doutor Silvana e não do Capitão Marvel. Da criptonita e não do Super-homem.
AFORÍSTICO O Engov é a camisinha para o proselitismo de político, uma vacina.





