Mais complicadores


Não bastassem os complicadores da quadra nacional nós os temos, de sobra, também regionalmente. Lerner deu todos os sinais possíveis de que estava com Beto Richa e essa, além da sua luta pela manutenção da aliança com o PSDB, foi uma das razões pelas quais se estimulou a direção nacional do PFL para tentar contê-lo. É hoje um interlocutor estratégico na sucessão nacional até pelos créditos que acumulou dando importante alavancagem a FHC nos dois pleitos.
De um lado enfrenta a obstinação de Rafael Greca que lançou até outdoors por aí como candidato ao governo e que obviamente se opõe à aproximação com os tucanos. De outro já tem um postulante, que mostrou a força do seu prestígio com 280 prefeitos comparecendo à sua despedida, Lubomir Ficinski, e que dá entrevistas e faz discursos de candidato. Como se vê buscar a conciliação nacional pode ser mais singelo do que a local, pois na outra vez em que Greca se lançou candidato a prefeito, quando Lerner preferia Taniguchi, deu para ver que o homem não é fácil de demover, a não ser quando circunstâncias especiais imperam como as que ditaram a sua saída do Ministério.
É a diferença entre os grupos que disputam o poder no Paraná: a maior riqueza de quadros do situacionismo diante dos adversários. Nestes o personalismo é que se impõe, embora se reconheça que o ministro Francisco Gomide atuou nas gestões de Richa, Alvaro e Requião na Copel, o que decorria de sua condição de integrante daquele estamento público. Lerner agrega mais a ala original do PSDB do que Alvaro Dias por exemplo que o comandou e também aquelas figuras que estavam sob a liderança de Canet Júnior e do PMDB acoplado ao PP do que o próprio Requião. Se tivesse o punch de Alvaro, o sem preguiça para a política, manteria ainda cacifes até para a presidência.
BIZARRICE A insistência da Prefeitura de Curitiba, depois do arraso do IPTU e do ISS, em taxar o contribuinte aparece agora na proposta de cobrar o lixo pelo peso. A folga é tal que dá a entender que o contribuinte tem caixa 2.
AXIOMA Um argumento a favor do pagamento do lixo por peso é de ordem higiênica e ambiental: estimulará o uso do papel higiênico, expulsando o papel jornal do WC, até nos barracos, porque sendo mais leve custará menos.
GLOSA Prefeituras costumam empurrar seus pobres para outros municípios como se fossem lixo. Até a de Curitiba fez isso em Contenda. Por que não poderão os moradores transferir seus resíduos aos vizinhos como se fossem pobres?
EPIGRAMA É impossível falar sobre lixo sem mostrar-se prolixo.
FOLCLORE Lubomir Ficinski confia na sua própria figura. Ao dizer que espera ser levado no colo dos prefeitos criou algo difícil para Rafael Greca e para outros como Lerner e Pessuti, por exemplo, que não os suportariam.
CROMO A pedra e sua falsa inércia vibrando na crispação dos átomos e abrindo e fechando o caminho da poesia de Drummond.
AFORÍSTICO Hoje é o último dia da mistificação eleitoral: quem blefou, blefou, quem não blefou vai ter mais dificuldades para blefar.

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