Luiz Geraldo Mazza
Os nossos quadros
Com a convocação de alguns paranaenses, dois para o primeiro escalão, do governo FHC, deu para perceber que o atual sistema de forças é melhor servido de técnicos do que de políticos, porque aí está a carência mais desalentadora. É verdade que a figura dominante é de político, no caso de Euclides Scalco, de sólida (o que é muito raro no ramo) formação humanística.
A pobreza dos nossos quadros políticos está expressa na sucessão: a maioria, à exceção do até aqui postiço Beto Richa, composta de figuras carimbadas como as de Requião, Alvaro Dias e Rubens Bueno. Na equipe de Lerner há pessoas com pegada ministerial como Lubomir Ficinski, Rafael Deli e Miguel Salomão, que estava montando o Banco Central de Angola, a serviço do FMI, quando foi convocado para assumir a pasta fazendária. Nenhum deles político, embora a compulsão recente de Ficinski em função das suas relações com o time dos prefeitos e da reciprocidade do entusiasmo dessa clientela por alguém que, num tempo de vacas magras, abriu-lhes perspectivas com o Paranacidade.
Francisco Gomide, ex-presidente da Copel e da Itaipu, é uma das autoridades em hidrologia e, depois de dirigir uma companhia privatizada, está apto a compreender a necessidade da reengenharia do setor, mormente em função das falhas de previsão que fundamentaram a crise e o apagão. Pode, assim, sem qualquer preconceito erigido em sistema, sair-se bem no Ministério de Minas e Energia. A última passagem de paranaense pelo ministério, a de Rafael Greca, é algo de que não se pode lembrar sem algum constrangimento quando tinha afinal potencialmente todos os requisitos para sair-se bem, o que não aconteceu.
Na área energética, só para servir de exemplo, temos ainda a figura de Nelson Souza Pinto, uma das maiores autoridades em hidráulica. É a confirmação de que vamos mal de políticos, mas na área tecnoburocrática há valores até de sobra.
BIZARRICE O Ministério Público vai intervir no Metrô. O único que existe e que é uma boate. Há quem ache necessária intervenção no outro, só projetado.
AXIOMA Holocausto no Oriente Médio. Afinal a expressão não tem patente única.
GLOSA O jornalista Eduardo Schneider diz que o governo FHC tinha no vice, Marco Maciel, alguém que parecia ter saído de uma tela de Modigliani e que agora com a chegada de Scalco predominaria o tom de Pablo Picasso.
EPIGRAMA Os senadores Alvaro Dias e Requião, apontados por Lerner como inimigos do Paraná, estavam na posse de Gomide que serviu àqueles governos como dirigente da Copel e não ao de Jaime Lerner.
FOLCLORE O dirigente da Renault, Luc Alexandre Ménard, é, desde ontem, em função dos seus méritos, Cidadão Honorário do Paraná. Ao dirigente da Chrysler a Assembléia poderia providenciar o título de Cidadão Funerário.
CROMO Três pinguins, com seus smooking, passeavam em Mariscal (SC), tangidos pela frente fria. Melhor eles do que os cavaleiros do Apocalipse.





