Luiz Geraldo Mazza
Um teste para Scalco
Há quem diga que Euclides Scalco é hoje um dos mais fortes auxiliares de FHC. Tudo bem. Espera-se que de tudo isso haja beneficíos para o Paraná e que não apenas amplie a sua aura pessoal, como se deu com vários dos que ocuparam as pastas ministeriais. De saída um teste relevante: o Hospital de Clínicas, um dos únicos que não recebe recursos federais, está na UTI, nas últimas. E Scalco foi um dos batalhadores da causa. Pois bem. Se não for capaz de ao menos encaminhar uma solução ao problema é porque em nada nos ajudará.
O raciocínio parece radical, mas não é. Chega de fazer papel de trouxa: desde 1954 para cá tivemos ministros da Saúde (Aramis Athayde, Borges da Silveira e Alceni Guerra) e da Educação (Flávio Suplicy de Lacerda, Ney Braga, Euro Brandão) e não federalizamos universidades e nem acertamos o caso do Hospital de Clínicas. Dá impressão, como revelou Belmiro Valverde, a melhor cabeça deste Paraná, que quando assumimos ministérios damos uma de cosmopolita e temos horror de parecermos provinciais. Sejamos provinciais e acertemos essas dívidas da União enquanto pudermos. Chorar apenas, resmungos paranistas e paranóides nada resolvem. Como também atribuir fracassos à autofagia é bonito como discurso de psicologia social e acomodação sociológica, mas ridículo.
Ninguém é nacional e muito menos mundial se esquecer a aldeia. Fazer o papel de doador generoso, daquele que renuncia pelo bem do País e da causa geral, é fuga, capitulacionismo. O Hospital de Clínicas é um teste. Vamos em frente.
BIZARRICE Dos paranaenses que estiveram em CPIs qual se sai melhor: Gustavo Fruet no caso do Proer, Requião no dos precatórios ou Alvaro no futebol? Urge examinar isso pelo resultado concreto e não pelo lado do espetáculo.
AXIOMA Venha pra Caixa você também: ontem um correntista foi retirar grana da agência Oliveira Bello e recebeu trinta notas de um real. Se as coisas forem nessa direção dentro em pouco o cara vai lá com o porquinho de louça na mão.
GLOSA Hoje Luc Alexandre Ménard, da Renault, vira cidadão honorário do Paraná. A montadora é quase parceira do governo, que já foi seu sócio relevante e hoje lembra templo evangélico ao ter direito ao dízimo.
EPIGRAMA O homem bonito como candidato da aliança governista já existe e com a vantagem de ser o novo diante dos velhos. A questão é saber quem fará o papel do Cyrano de Bergerac para falar por ele às escondidas.
FOLCLORE Catarinizaram o Paraná. Nossos ricos, originários do setor público, montam mansões em Porto Belo ou no Costão do Santinho, e o Bornhausen vem aqui escalar a posição em que Lerner jogará no futebol sucessório. Merecemos.
CROMO A dor, que advinho às vezes numa colega de trabalho, me contamina como se eu pudesse ter o dom de partilhá-la e assim reduzí-la.
AFORÍSTICO Jaime Lerner e Marco Maciel: as aparências podem enganar, mas lembram Sancho Pança e o cavalheiro da triste figura, Don Quixote.





