Luiz Geraldo Mazza
Como hoje é dia de Páscoa e de consagrar a Ressurreição e ao mesmo tempo foi dado esse domingo como prazo último para o governo honrar as ações da Copel nas mãos do Banco Itaú vamos confiar que a atmosfera dos rituais nos inspire. O sentido etimológico e semântico da Páscoa é o de passagem, daí terem usado o ovo, que protege a metamorfose do embrião em sua derradeira forma de ser vivo, como também o da superação da morte no caso do testemunho de sangue de Cristo.
Ainda que pareça irreverente e herético esse tipo de analogia, embora o corte mercantil das comemorações com o massacre de chocolate, teríamos, se ocorresse o pior com a nossa melhor empresa pública na perda do controle acionário, a visão exata de que o Itaú ao ganhar o leilão do Banestado teria recebido algo mais do que um kinder-ovo cheio de surpresas, mas dando ao governo, por seu destempero e desídia, uma característica de cavalo de Tróia, aquele que, como presente de grego, vem para destruir o dono do mimo recebido.
O argumento de que o governo estadual pode se amarrar em rabulices sutis e até rústicas para contestar essa fatalidade no Judiciário não satisfaz e se não encontrar uma saída intermediária (acesso ao BNDES, já que Lerner era mais realista do que o rei ao seguir o formulário do FMI e FHC no caso e portanto cumpria uma orientação estratégica) a nódoa permanecerá, tanto quanto as estrepolias de Roseana e Murad, no andamento do processo eleitoral.
Claro que a aura de transcendência e de paz entre os homens, rompida ontem com a malhação do Judas, boa parte deles lembrando alegorias de políticos, se coloca acima de questões tão prosaicas.
A decisão recente da Justiça que impede o Itaú de apropriar-se das ações da Copel não é definitiva, mas reafirma que o governador nasceu de costas para a lua e que pode sair-se bem tanto aí quanto na sucessão nacional e local.
BIZARRICE A verdade começa a emergir nos próximos dias com a chegada da prazo fatal da desincompatibilização. Saberemos quem permanece e quem disputa. O que sair amanhã pode ser sacanagem porque se trata do Dia da Mentira.
AXIOMA A propósito, a imprensa paranaense nasceu com Dezenove de Dezembro em 1º de Abril de 1.854. Nasceu oficial, pois publicava atos públicos, e, de certa forma, apesar de tudo, assim continua.
GLOSA José Sarney, o senador, dramatizando a sua disputa com o governo FHC, pediu que houvesse fiscais da ONU para apurar a limpidez do pleito. Quando era presidente preferia os fiscais dele próprio para a demagogia em cima de uma suposta remarcação de preços nos supermercados, o que não era democrático.
EPIGRAMA Se os bancos conseguirem derrubar dispositivos do Código de Defesa do Consumidor quando praticam as mais abusivas tropelias, será o fim dessa legislação que tantos benefícios vem prestando ao povo, pois outros setores tentarão a mesma coisa em suas respectivas áreas de interesse.
FOLCLORE Coerência em político é como um banco sem lucro: não existe.
CROMO Comunidade ucraniana, a segunda do mundo, seguida pelo Canadá, festeja aqui a ressurreição com as peçânkas, os ovos multicoloridos em arte bizantina.
AFORÍSTICO Que tal se atirassem ovos de chocolate na classe política?





