Luiz Geraldo Mazza
Se há alguém que está permanentemente em missão é o senador Jorge Bornhausen, mais um catarina de renome nacional, embora sem o brilho de outros familiares e de um ex-adverso como Nereu Ramos. É o homem termômetro do PFL, em cuja face é impossível descobrir o desânimo e o aturdimento, mesmo em encontro como o mais recente do partido em que dava, apesar de todo esforço de dissimulação, para perceber o pânico tomando conta da assistência, incluindo a Roseana.
Pois no dia da mentira, 1º de abril, Bornhausen passa por aqui e segundo um noticiário, que parece meio instrumentado, para sondar se Lerner disputaria no caso de fracassar a solução maranhense. Ninguém teve na história recente do Paraná tanta condição para candidatar-se à presidência. Todavia esse potencial foi fora com a mesma prodigalidade com que se dissiparam recursos públicos de forma irresponsável. Hoje se Lerner for para um teste desses com os supostos créditos de suas duas gestões emparelha com seu colega Dutra, do PT gaúcho.
Na pesquisa Brasmarket, Lerner aparece, por exemplo, com 5,5% para o Senado, o que não deixa de constituir-se num parâmetro referencial e dá uma idéia de como está a sua imagem: empatando com a da água da barragem do Iraí.
Não se pode, no entanto, negar que Lerner é hoje interlocutor importante do quadro sucessório nacional pela posição assumida em defesa da manutenção da aliança com o PSDB em contrariedade aberta e clara à maioria do partido que também não é lá um exemplo de convicção pela dificuldade em fazer o que não sabe: viver fora do poder. Talvez, em função disso e da importância do Paraná como um dos mais fortes colégios eleitorais do País, é que a missão de Bornhausen passa a lembrar um pouco a do agente 007 em relação a Goldfinger. Qual dos dois é o mocinho e o vilão é a questão. Depende do prisma.
BIZARRICE Se o PMDB (Requião na cabeça) e o PFL (Greca para o governo ou o Senado) não tiverem puxadores de votos se transformam em nanicos. Para ser delicado, lembrarão aquela árvore anã dos japoneses, o bonsai.
AXIOMA Contestar pesquisa é sempre o exercício de quem nelas aparece mal. Dá para comparar com o cara que, inconformado com a febre, quebra o termômetro.
GLOSA Deputado federal (PTB-SP) Wagner Salustiano apresentou uma emenda à Constituição concedendo o voto aos presos. Nem esses, que já estão mais do que concentrados, deverão mostrar interesse pelo pleito. Pesquisa Sensus mostra que apenas 17% dos brasileiros estão interessados nas eleições.
FOLCLORE O direito à preguiça do anarco-socialista Paul Lafarge, genro de Marx, parece ter sido assimilado pelo MST que na fazenda do Pontal arrancou a soja do terreno invadido para montar um campo de futebol.
CROMO O sangue-seiva da coroa de cristo e do mamão é um leite corrosivo.
AFORÍSTICO Horticultores berrando contra supermercados: Davi só ganha do Golias no livro sagrado, mas não custa manter a esperança.





