Luiz Geraldo Mazza
Cada invasão de terra, que não precisa ser exatamente a da fazenda de FHC, embora o significado da agressão, será debitada à conta de Lula. Pode até não ser justo, mas parece inevitável, pois todos reconhecem que uma linha moderada é a que cerca o grupo dominante do PT. Se tem o bônus do apoio da maior das nossas centrais sindicais, a CUT, também carrega o ônus de ela ter bloqueado vias de acesso ao aeroporto em São Paulo para combater a flexibilização da CLT, quando, aliás, havia prometido algo mais sério a greve geral.
Quem se der ao cuidado de analisar os gráficos da prévia nacional no PT ou mesmo das regionais, perceberá que há uma espécie de equilíbrio registrado, também, na recente autorização do diretório nacional, por estreita margem de votos, para que fosse dada continuidade à negociação com o PL. Indisfarçável é que a política de alianças, não importa se envolvendo ou não a direita, é a via inevitável para viabilizar e dar densidade à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Os cultores do radicalismo e do voluntarismo não se satisfazem com raciocínio cartesiano e em razão disso haverá cisões.
Há quem insista e isso é corrente entre os chamados cientistas políticos do País e aqui mesmo do Paraná em ver semelhança de trajetória entre Lula e o ex-presidente francês François Mitterrand. É algo meio lúdico, de aposta, porque os líderes são inconfrontáveis e os países submetidos à analogia bem diferenciados em carga civilizatória. Mitterrand chegou a testar o Napoleão redivivo, Charles De Gaulle, e na sequência acabou, depois de perder de Giscard DEstaing, chegando à presidência.
A adernada à direita do PT visa acumular forças para evitar a repetição das derrotas anteriores. Seus efeitos são negativos como também os produzidos à esquerda nas ações do MST e da CUT para a maioria.
BIZARRICE 78% dos brasileiros não aceitam a contabilidade das eleições e só 8% a admitem como verdadeira. É a pesquisa da Sensus, mas no momento atual as pessoas estão mais para o censo, o número, do que o senso, o raciocínio.
AXIOMA Em função do encontro de Niterói (PPS-PTB-PDT) e das especulações de que o time dos trabalhistas poderia tirar o time de campo, Leonel Brizola disse estar com os ouvidos no chão, à maneira de índios, para detectar o tropel das ações e até dos boatos.
GLOSA Rubens Bueno, PPS, mesmo aparecendo com 1% na pesquisa Brasmarket, contra 33,2% de Alvaro Dias, PDT, disse que sai candidato de qualquer jeito. Divide o palanque, se é que o PTB fica na coligação. Se não ficar, Alvaro e Rubens deverão treinar com Enéas a fazer o aproveitamento do horário.
EPIGRAMA Sonho dos candidatos é aparecer no Big Brother e Casa dos Artistas.
FOLCLORE Com meio ponto à frente de Beto Richa, Rafael Greca apertava as mãos de curitibanos ontem no centro da cidade. Inegavelmente tem mais peso.
CROMO O pintor comeu o modelo: as naturezas mortas da bandeja.





