Luiz Geraldo Mazza
Na tribuna do Senado, ontem, Roberto Requião fez pesadas críticas a Lerner alegando que houve superfaturamento nas obras do conjunto de pontes fluviais sobre o rio Paraná. Mas o fato mal vai ter repercussão interna pelo tom grave das acusações pela circunstância de que a oratória se deu como preliminar do jogo principal, o discurso do senador Sarney em defesa da família atingida no caso dos financiamentos da Sudam e dos procedimentos judiciais que os apuram.
O governo Lerner é ciclotímico: ora revela ativismo, ora cai em catatonia. Entrou de sola na defesa da aliança PFL-PSDB, em posição minoritária, e que até surpreendia pela firmeza não habitual. E de dois dias para cá está levando pau de tudo quanto é lado como se fosse um saco de treinamento de boxeador. Não deu uma só resposta às pancadas, seja a recente de Requião ou aquela outra da Rede Globo desmistificando as vilas rurais com uma contundência até então não registrada.
Saiu-se mal, também, no episódio da fuga da gangue de sequestradores em Maringá ao não exigir uma atitude mais radical da Segurança determinando o afastamento não apenas dos policiais envolvidos como também da hierarquia superior, os delegados. Enfim para cada feito, ao menos três defeitos.
BIZARRICE Notícia incrível: o governo estadual teria comprado uma área de reserva de araucária. Se era de preservação permanente por que comprá-la, my God? Preservar a seriedade é preciso. Se não tudo vira um parque de diversões.
AXIOMA Que tal fazer do nosso Senado algo parecido com o romano onde Cícero abjurava Catilina? Requião, Alvaro e Osmar, de túnica branca, acusando o Paraná, o Sarney do Amapá defendendo o Maranhão; dois ex-presidentes caindo.
GLOSA No encontro do PDT em Curitiba, fraquinho de público, Alvaro estava com uma camisa Ferrari e houve a observação de que passaria por cima do kart de Beto Richa. Só que poderia dar uma de Rubinho Barrichello com pneu furado.
EPIGRAMA A luta em torno da soja transgênica pouco tem de científica e muito de emocional e de disputa por mercado de sementes. Paraná deve abrir o olho para não entrar em fria como a ocorrida quando, por falta de retaguarda científica, não soube se defender dos interesses paulistas que nos condenavam como área interditada aos cítricos por causa do cancro, hoje dominado.
FOLCLORE Requião chamou a maioria governista do PMDB de banda podre. Se na polícia essa banda também fosse maioria seria o caos.
CROMO A transição verão-outono imperceptível: meninos, que cheiram cola, se banhavam no repuxo da Praça Osório, abismados com a beleza cinza das ninfas e o verde limo, degradado, das águas.
AFORÍSTICO O discurso beligerante de Requião é de candidato mesmo: queimou as caravelas que o Hermas Brandão vinha construindo e Beto Richa não dá sinal de vida. Tudo pode não passar de um jogo de espelhos e ainda hoje mudar.





