Luiz Geraldo Mazza
A suspeita de sempre
Costuma-se dizer, repetindo Marx a corrigir Hegel, que a história se dá primeiro como tragédia para repetir-se como farsa. A levarmos a sério o conceito poderíamos, com o uso de um silogismo, afirmar que no Brasil há mais farsa do que história ou que esta, por aqui, é carente de imaginação.
Em Curitiba houve problemas muito mais sérios com suspeita de grampos telefônicos do que agora no circuito Brasília-Rio-Maranhão e mal saiu a CPI ela acabou abortada por uma série de recursos judiciais que visavam proteger o banco HSBC. Pois agora, em pleno ritual da vingança, o PFL quer um instrumento parlamentar para investigar grampos contra Roseana Sarney e seu governo. Até o patriarca e ex-presidente José Sarney entrou de sola na articulação.
Há várias suspeitas desde a de vazamento das informações relativas à batida policial no escritório de Murad até a de manipulação aberta das pesquisas, argumento repetitivo de todos que aparecem mal nessas sondagens. Esse é de todos o argumento mais ridículo porque as pesquisas retratam um momento e uma perspectiva de tendência, nada mais.
Com a subida, que todos esperavam, da posição de José Serra, até porque estava por demais exposto na mídia, as carpideiras entraram em choro convulso. O Brasil, como lecionava De Gaulle, não é sério. E se há quem o comprova, de forma sistemática, é a débil classe política.
BIZARRICE Depois do exemplo norte-americano de um ex-presidente eleger o próprio filho (Bush), o Brasil pode serenamente dar o exemplo com a filha de um ex-dirigente (Roseana) ou o neto de um que nem assumiu (Aécio Neves) e posar de modernoso.
AXIOMA O tédio do poder que Lerner vinha exibindo, por mais de seis anos, se transforma em surpreendente ativismo. Nada é impossível: JK fez 50 anos em cinco, Lerner pode fazer perfeitamente em sete meses o que deixou de empreender em sete anos. Conseguiu até retornar à condição de interlocutor nacional no processo sucessório. E isso é muito bom para o Paraná. Suspeita-se que esse pique tenha ajudado o time de futebol do Paraná a classificar-se na Copa do Brasil.
GLOSA O PFL regional não parece disposto a exercer por aqui o papel de resistência do diretório nacional em franco jogo de braço com o PSDB, apesar do entusiasmo de Rafael Greca e Abelardo Lupion, porque está consciente de que sem Lerner e Cassio Taniguchi o partido atrofia e vira, como dizem em Paranaguá, maracujá de gaveta.
EPIGRAMA Cada vez que ocorre um caso de desvio de conduta como o de Maringá argumenta-se que aquilo é a exceção e não a regra. No povo o sentimento, até pela absoluta falta de segurança, não é esse, pois vê a árvore como se fosse a floresta.
FOLCLORE Quando da inauguração do complexo de pontes sobre o Rio Paraná em Porto Camargo, o senador Alvaro Dias fez discurso no parlamento destacando a importância estratégica da obra, iniciada na sua gestão. Ocorre que ela passou por mais três períodos governamentais para ser concluída, o que deveria exigir de todo homem público a compreensão de que a continuidade das obras é mais importante do que a sua própria presença no poder.
CROMO A paixão do amor impossível é a mais próxima das utopias.





