Luiz Geraldo Mazza
A vigência do provisório
O filósofo, contemplando o rio, firmou conceitos sobre a realidade e as aparências. Em política, especialmente neste momento no Brasil, nada tem solidez e o fato marcante de hoje amanhã se dilui como perfume carente de fixador. Como a aparência se sobrepõe à realidade, não é fácil distinguir a consistência das manobras em andamento de jogadas de cena que não resistem à descida do pano no palco.
Quando o presidente Fernando Henrique, ainda que com as cautelas da diplomacia, critica o FMI não apenas por sua atuação na Argentina, mas pelo papel que exerce no monitoramento das contas de países dependentes, dá sequência natural a pronunciamentos como os das reuniões dos países progressistas, da ONU e da Assembléia Francesa, mas não se pode dizer o mesmo do desencadeamento das ações políticas no Brasil. Aí se insere a tentativa do PT de politizar os assassinatos dos prefeitos de Campinas e São Bernardo do Campo e que acabaram gerando, neste último caso, alguns constrangimentos como os relativos ao staff do burgomestre encarregado de fazer o programa de Lula. O pior é que o secretário de quem o substituiu é notoriamente adepto de apoio a grupos guerrilheiros da Colômbia.
Num momento, portanto, em que o PT teria tudo para faturar as cisões na base aliada, com o afastamento do PFL, comete falhas, faz gols contra e acaba anulando os fatores que o privilegiariam.
Uma sinalização relevante, quanto à profundidade do cisma situacionista, será dada na votação da CPFM, ainda que não passe de mais um blefe dentre os muitos que ainda virão.
BIZARRICE Amanhã o governador Jaime Lerner tentará uma redundância: ser a ponte com FHC e o PSDB na inauguração do complexo de obras de arte de Porto Camargo.
AXIOMA O PT está certo em tirar partido, aqui no Paraná, das relações, um tanto quanto incestuosas, entre negócios da Sudam e da Copel. Há muita ambiguidade em relações parenterais. Muito comum nessa gestão como se vê na atuação da agência de propaganda do genro de Lerner e que depois o cunhado, no Tribunal de Contas, fica sob suspeição para votar.
GLOSA Até que ponto não temos também o nosso coronelismo, atenuado é verdade, em nossas práticas políticas? Costumo lembrar uma passagem histórica: nos anos 50 tivemos Munhoz da Rocha no Executivo, Laertes Munhoz como presidente do Legislativo e José Munhoz de Mello no comando do Judiciário, primos. Na última gestão indireta Ney Braga, cunhado (do primeiro casamento) de Munhoz da Rocha volta ao governo e seus parentes Fabiano Braga Cortes e Marino Braga Cortes presidem o Legislativo e o Judiciário.
EPIGRAMA No Brasil entre parentes não fica entre parênteses.
FOLCLORE Quando da criação do PFL, por discordar da escolha de Maluf como candidato no Colégio Eleitoral, e preferir Tancredo Neves, o partido rompeu com o PDS, que tinha na sigla a social democracia. Agora se afasta por causa do PSDB. Naquela ocasião a jogada era segura, o que não ocorre agora.
CROMO Na fosforescência do mar o alerta desconhecido.
AFORÍSTICO O que é mais sujo e promíscuo: uma novela da Globo, o futebol
brasileiro ou a nossa política?





