Um estranho teste


Existe no PFL a disposição de empreender uma pesquisa com os nomes de Alceni Guerra, Emília Belinati, Abelardo Lupion e Luciano Pizzatto para verificar quais deles teriam as melhores condições de disputar o Senado. A notícia dessa sondagem vai de encontro aos interesses do governador Jaime Lerner, obstinado na aliança com o PSDB e certo de que o futuro próximo assegurará essa acomodação. Tanto que nesta semana, ao receber o presidente Fernando Henrique, para o ato inaugural do maior complexo de pontes fluviais da América Latina em Porto Camargo, novas ações serão desencadeadas com o propósito de restabelecer a base da aliança vitoriosa. Para o governador, o ideal seria incluir Rafael Greca nesta sondagem, retirando-o da briga ao governo. Lerner inclusive ofereceu a Greca, sem êxito, no final do ano passado, vaga de candidato ao Senado.
Há quem olhe a decisão do PFL de exigir a saída do presidente da Caixa Econômica Federal, o paranaense Emílio Carazzai, que nem filiado era, como um reforço para manter o sentido da resistência estabelecida, um sinal de que o estado de beligerância permanece. Todavia o teste verdadeiro se dará amanhã quando o presidente da Câmara Federal, Aécio Neves, pretende colocar em votação a prorrogação da CPMF, obsessão maior do governo federal neste momento e que leva seus integrantes à distonia neurovegetativa.
Como se vê se para os homens frios e habituados à morbidez do mais pesado dos lances de pôquer e especialmente das artes do blefe isso é normal para os mais sensíveis o jogo se torna perigoso a exigir a cautela permanente de uma UTI cardiológica.
Se o compromisso com a governabilidade estaria traduzido radicalmente na questão da CPMF ainda assim o PFL pode dar-se ao exercício de ações sadomasoquistas, mantendo o seu ex-aliado sob pressão. Se a pesquisa for para valer – a referente aos nomes para o Senado – a manobra não facilita as coisas para Lerner, que está disposto a tudo para a reengenharia da aliança, mesmo que encontre a mais tenaz resistência interna.
A GUERRA CIVIL Uma espécie de guerra civil toma conta do País em função do alto grau de organização do crime que vai das ações do tráfico de drogas às suas vinculações com sequestros, nas suas várias modalidades, roubo de cargas, desmanche de automóveis e a surpreendente capilaridade que a guerrilha dos presídios – Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho, Terceiro Comando – está assumindo e dotada de logística superior à da malha legal incumbida de combatê-la. Curitiba já havia aparecido com relativo destaque nas apurações da CPI do Narcotráfico, ainda que não aparecesse com a hegemonia de Campinas. A forma como a traficante ‘‘Evinha do Pó’’ foi executada no fim de semana na Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais dá bem a idéia das dimensões do problema, causa das dezenas de extermínio de jovens e do caos implantado.
O Brasil está perdendo essa guerra por ser o segundo maior mercado consumidor, depois dos Estados Unidos da América do Norte, e constituir-se num dos maiores corredores do tráfico. Urge aperfeiçoar os dispositivos preventivo e repressivo para que não permaneça a impressão de que a tolerância é que sustenta o que aí está.

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