Luiz Geraldo Mazza
Ganhamos ou perdemos?
O Paraná ganha ou perde com a ruptura do PFL no governo FHC? Um dos que vai ter que retornar ao ninho antigo será Fernando Fontana, presidente do INSS. Mas há outros que serão levados a abrir mão de cargos e encargos. São mais de 2 mil postos, o que dá a essa operação uma característica semelhante a de um inesperado rompimento de uma barragem.
Quem está atrapalhado é o governador, que além de chegar tarde no encontro dos correligionários defendia abertamente a solução Beto Richa, PSDB no Paraná, e oposto, juntamente com Cassio Taniguchi, o de maior peso eleitoral do PFL, à figura de Rafael Greca, que acredita ter levado a melhor nos acontecimentos. O vexame do nosso governador não surpreende. Não tem vocação para mártir e nem desenvoltura para encarar um plenário ensandecido pela idéia de rompimento, o que pretendia fazer na condição de único dentre oito gestores provinciais que lutava pela manutenção da aliança. Nesse aspecto já perdemos.
Como não há fatos irremediáveis na política, tanto o governador pode, lá na frente, tirar vantagem como o próprio PFL, com a sua vocação situacionista, retornar ao aprisco, estabelecida alguma condição reparadora. Agora teremos apenas a perda da soberba tucana e o choro oculto dos pefelistas como sequela dessa opereta bufa que é a política brasileira.
BIZARRICE Casa dos artistas e Big Brother adequados botariam, no mínimo, numa sala o time do PFL discutindo a saída do governo FHC.
AXIOMA Quando a UDN, que era um PFL com mais QI e densidade, comemorava a vitória do seu candidato, Getúlio Vargas suicidou-se e fez o jogo virar em favor da aliança PSD-PTB (Juscelino e Jango). A separação do PFL do governo tem um pouquinho disso e da mesma forma que em 1954 sugeriram que Getúlio teria apelado e Roseana fez algo parecido ao coagir o partido.
GLOSA O único pefelista disposto a defender a aliança com FHC no encontro de ontem chegou tarde. Era o governador Lerner. Também se fizessem a reunião em Nova York, Paris ou Washington chegava com antecedência.
EPIGRAMA Agora, para compensar o vexame do atraso, Lerner quer convidar a Roseana para a inauguração da ponte de Porto Camargo. E aí há redundância: tenta refazer a ponte política entre o PSDB e o PFL.
FOLCLORE Cândido Gomes Chagas, especialista (anti) em Lerner, lembra que não espanta o fato de o governador continuar com FHC. Quando prefeito, gestão Haroldo Leon Peres, foi o único que permaneceu depois da queda do governo por acusações de corrupção. Um lobby pressionou Pedro Viriato Parigot de Souza a desconvidar o deputado federal Emílio Gomes que iria ao Paço Municipal diz o Candinho com risadinha fina de Doutor Silvana.
CROMO E a maçã luminosa, que você me oferece, veio de um pomar surreal.
AFORÍSTICO Dobradinha para político no momento é mesmo a buchada.





