Pipocam as greves


Depois da greve dos professores e funcionários das universidades estaduais há a do pessoal da agricultura e no disparo outras como a da Polícia Civil e dos agentes penitenciários. Aberta a porteira com as concessões feitas (aliás, se podiam ser atendidas por que a teimosia do governo?) não haverá como brandir o argumento mágico, ao qual a tecnoburocracia se aferra, de fazer apocalípticos alertamentos em cima da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O fato é que ‘‘dançou’’ a austeridade e como estamos num ano eleitoral dá para imaginar o que ainda está por vir. Os R$ 100 de abono – na verdade um abano – à arraia miúda do funcionalismo não serviu sequer para dividir as categorias e, sim, para animar novas ondas reivindicatórias. Essa tal de LRF estava para o governo Lerner como a LSN (a de Segurança Nacional) para os milicos. Resumo da ópera: o governo alavancou as greves. Primeiro com a sua resistência e, em seguida, com as concessões.
BIZARRICE Não há o impossível em política e da mesma forma que o PT tenta se aliar ao PL da Igreja Universal o PFL pode se fazer em oposição radical.
AXIOMA Políticos odeiam as coisas permanentes, daí pretenderem que o TSE adote interpretações de conveniência e de conivência. Quebraram a cara: é correto o alinhamento vertical das coligações. A espinha mole é anti-vertical, dobrável.
GLOSA Um estudo do genoma do PFL indicaria que vai acomodar-se: rompeu com o PDS por causa da convenção nacional que ficou com Maluf e contra Andreazza e daí partiu para a aliança (mantida até hoje) que elegeu Tancredo Neves. É um PDS encabulado como o PSDB o é em relação ao PMDB.
EPIGRAMA Se a dengue prolifera na água suja, como se apurou em São Paulo, as represas da Sanepar são ameaça muito séria.
MITOS Volta e meia o Paraná é inundado por mitos: o de segundo Estado do País, no governo Pimentel, o de o Brasil que deu certo (Requião) e o mais recente o de que somos o segundo pólo automotivo quando a Fiat, de Minas Gerais, nos dá um banho estatístico, o que foi alertado pelo metalúrgico Sérgio Butka. Já aí cairíamos para terceiro. No Sul em dados sociais perdemos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Já nos indicadores econômicos ficamos em segundo.
FOLCLORE O Nordeste do Brasil, em tempos recentes, passou a ter relações muito fortes com o Paraná. Há aqueles casos de Sergipe, da Banestado Leasing, e agora esses do Maranhão nos negócios da extinta Sudam. E ainda nos chamam de tímidos. Acabaremos, em pouco tempo, temidos.
CROMO Advinhar a amada imaginária nas serestas a deixar a sua silhueta em sombra no cortinado. Isso não volta mais. Não há donzelas e poucas janelas.
AFORÍSTICO O deputado Geraldo Cartário deveria chamar-se cartório, tal o seu estilo de política. Agora quer legitimar o bico para policiais. A viração não precisa ter provisão legal e ela acaba acontecendo de qualquer jeito, às vezes até na vinculação aberta com a criminalidade, como se observa no País.

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