Luiz Geraldo Mazza
A baixa representatividade
Há uma série de clichês que procuram explicar a nossa pouca expressão nacional: o fato histórico de termos sido uma das derradeiras províncias a obter autonomia, a introspecção excessiva em função da contribuição étnica, a timidez e a autofagia. Até hoje ninguém supera em prestígio nacional a figura do conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcellos, nosso primeiro governante. É que ele foi verdadeiramente uma expressão nacional: quase um premiê na condição de presidente do Conselho de Ministros, governador de vários estados e até ministro da Marinha.
Devemos essa circunstância à classe política e à sua baixíssima padronagem. De ano a ano a representação parlamentar, estadual e federal, piora. Nossos bons nomes não são da área política, mas da científica e cultural e aí não pega bem a farolagem e a vassalagem ao espetáculo do campo político. Quando da Constituinte de 88 como é que um homem como José Richa, então senador e uma liderança nacional, não percebe a manobra de um José Serra com a emenda que beneficiou São Paulo, de forma cartorial, na questão da energia e prejudicou seriamente o Paraná? Tal indagação pode ser repetida e envolvendo os demais como evidência de desídia, desinteresse e desatenção.
Tivemos ministros da Saúde e da Educação e não temos uma só das nossas universidades federalizada e o Hospital de Clínicas é um dos raros que o seu corpo funcional não é pago pela União, hoje dependente da filantropia. Essa carência só pode ser cobrada das elites dirigentes, dispersas e incompetentes.
BIZARRICE Eduardo Requião, que não é bom de voto e nem bom devoto, apóia Alvaro Dias. O que Requião tenta fazer com Alvaro e Osmar, dividindo-os, consegue na família e de forma radical.
AXIOMA Oposição quer saber quanto o governo gastou no processo de leilão da Copel quando deveria ocupar-se das consequências das 29 parcerias.
GLOSA Um país em que marqueteiro é mais importante do que a doutrina dos seus partidos se mostra inviável para a democracia verdadeira. E há doutrina?
EPIGRAMA Uma das poucas figuras paranaenses de destaque, fora a Helena, do Big Brother, é o Inri Cristo. Afinal também somos filhos de Deus.
FOLCLORE Dizem que o público andou dando vexame na apresentação do pianista Nelson Freire. Nos anos 50, Guaíra em construção, o governo abriu o teatro para a plebe ver e ouvir a Sinfônica Brasileira regida por Eleazar de Carvalho, ao piano sua primeira esposa, Joci. Foi um happening: o povão pisava em cascas de amendoim, estourava pacotes de pipocas e num momento aviõezinhos de papel aureolavam a cabeça do maestro. Não há Chopin e Mozart que suporte uma dessas.
CROMO Gregório Samsa se faz barata em Kafka, as larvas se fazem mosquito e transmitem a dengue.
AFORÍSTICO FHC mandou bloquear um site na Internet que o criticava, logo agora que vinha se recuperando nas pesquisas.





