O oba oba e o baobá


Há um planetinha em ‘‘O Pequeno Príncipe’’, de Saint Exuperi, no qual plantam um boabá e quando as raízes da árvore gigante crescem o destroçam. Já usei a imagem ao fazer um audiovisual sobre manejo urbano em Goiás ao mostrar que se persistisse a saturação do trânsito tudo explodiria. É o que se dá com o oba oba incontrolável das universidades estaduais: entronizada a ‘‘caixa-preta’’, que torna impossível o monitoramento dos seus gastos (isso se dá, de certa forma, também com as federais em função da autogestão, apesar da Lei de Responsabilidade Fiscal), em menos de cinco anos essas unidades apresentam o mesmo risco da previdência.
Na relação aluno, professor e funcionário há uma das distorções do sentido da burocracia como a entendia Max Webber. Essa equação singela explica porque os pragmáticos dirigentes do ensino privado conseguiram resultados excepcionais em rentabilidade, menos sujeitos ao condicionamento do corporativismo e desse consulado que nasce das eleições diretas, do populismo assembleísta não visto em países civilizados, mesmo naqueles que têm a tradição das barricadas.
Assembleístas não irão analisar com isenção a proposta do governo, pois seu ecossistema é o papo sem fim em nome da democracia quando tudo isso não passa do pior dos democratismos. Quando havia arranca-rabo entre governo e mestres do primeiro e segundo graus, os grevistas mostravam seus contracheques, é claro que os mais baixos, enquanto o oficialismo exibia os mais altos. Seria educativo que isso acontecesse, pois é inconcebível que haja professores, mesmo que beneficiados pela titulação, que ultrapassem os R$ 10 mil, enquanto na outra ponta da linha ficam os periféricos que, mesmo dobrando vencimentos, persistirão na pior, quando na greve operam como seus sustentáculos.
BIZARRICE Lerner não é um exemplo de austeridade: nos primeiros quatro anos de gestão queimou em propaganda R$ 500 milhões, mais do que se prevê para a totalidade das universidades em 2005.
VINHETA Com a decisão do TSE houve a verticalização das coligações e a horizontalização se dá quando votam os cadáveres, o que não é incomum.
AXIOMA Um dos argumentos mais usados sobre a decisão do TSE é a de que ela é essencialmente necessária, mas que veio fora de hora. O mesmo se dizia quando da abolição da escravatura e em cima de todos os avanços sociais. Dos políticos não se pode esperar outra coisa se não o oportunismo.
GLOSA O PT é contra a verticalização, mas acha ético negociar com a direita, embora deseje fazê-lo de cima para baixo como todo autoritário.
EPIGRAMA O padre Roque venceu a eleição para a direção do PT e foi derrotado no tapetão. Não espantaria que os realistas desejassem impugná-lo.
FOLCLORE A candidata número um refresca até pensamento e sobe redondo?
CROMO A flor do mal de Baudelaire como a de Malherbe também perfuma.

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