Embora discutível quanto a sua constitucionalidade, a decisão de verticalizar as coligações pelo TSE é, sob o ponto de vista filosófico, corretíssima. Ela vem para preencher a lacuna legislativa de não existir uma reforma política e de haver extrema permeabilidade no tocante à fidelidade partidária. Nesse aspecto, tirando Roberto Requião, que sempre militou no PMDB, não temos um só exemplo dentre as figuras de primeiro plano da nossa política que se enquadrem nessa exigência básica do processo democrático.
Alvaro Dias é um saltador de legendas: do PMDB, tudo ditado por personalismo, vagou pelo PP, PST, PSDB e PDT. Perde longe do Affonsinho e empata com Lerner que saiu da Arena para o PDS, deste para o PDT e daí ao PFL. Outros fiéis são os petistas como Ângelo Vanhoni, apesar de ser da ala que opera como estepe do Requião ao lado de outros como o Jorge Miguel Samek.
Vai dar tumulto de peso: haverá a provocação do STF, pode ser baixado decreto legislativo e é possível até que o TSE remende o casuísmo que no fundo é um ato legislativo como o é também o entendimento das duas mais altas cortes do País de que grevista do serviço público deve receber pelos dias parados quando o dispositivo carece de legislação complementar. Se presidente FHC legisla com os raios de Zeus das Medidas Provisórias por que não fazê-lo?
Aqui a medida favorece o PFL e Rafael Greca se mantiver a Roseana, prejudica Requião e o PT em seu namoro e até abre caminho para Lerner e Cassio, já que não aspiram candidaturas, deixarem o partido (isso pode ser um blefe no jogo de aparências) e partirem para o apoio a José Serra e Beto Richa. Ajuda também Alvaro Dias, que evitará trombar por aqui com Rubens Bueno, um dos ‘‘lanterninhas’’ das pesquisas, do ‘‘PCB’’ encabulado.
BIZARRICE Polonês escreve como fala: no monumento a FHC grafaram Cardosa.
AXIOMA Fidelidade partidária no Brasil é como a matrimonial na TV Globo.
GLOSA A realidade política do País é movediça: quando se pensa que o jogo sucessório vai ser definido há um fato que apaga tudo e leva à estaca zero.
EPIGRAMA Enquanto marqueteiros forem mais importantes do que doutrinadores não haverá vida inteligente nos partidos.
FOLCLORE Esse ar de tédio do Lerner por vezes até se justifica em cima dessa mediocridade da vida política e administrativa. Se o Fellini teria tudo para sequestrar o Greca e a Margarita e inserí-los nos filmes, pode-se dizer que Antonioni, o dos temas existenciais, encontraria um prato cheio em Lerner.
CROMO Ontem a lua esteve inflada como político em dia de convenção.
AFORÍSTICO Na escalada de gastos em que estão, fora de controles, as nossas universidades estaduais repetirão o baobá plantado no planetinha de Exuperi em ‘‘O Pequeno Príncipe’’ em menos de cinco anos.

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