Luiz Geraldo Mazza
Depois de amanhã o governador Jaime Lerner mantém novo contato com os servidores, dando continuidade às conversações de sexta-feira. Vai enrolar os barnabés porque não tem como atendê-los. Da mesma forma que fez com o PFL. Assim na sequência da festa de sua reinserção no partido de origem, sofre as agruras de um diálogo difícil e, o que é pior, impossível de ser atendido. Mas a alegria de depois de amanhã compensa o padecimento de agora.
Saiu-se bem no que poderia ter sido um confronto: botou policiais desarmados sem qualquer equipamento ofensivo e até permitiu uma aproximação maior do Palácio do que a havida em 1988 com Álvaro Dias e que redundou no massacre dos professores, tão explorado por Lerner no último pleito. A tentativa de forçar a porta principal foi o momento mais agudo com a palavra de ordem de alguns dirigentes para que a pressão naquele ponto fosse mantida, com a discordância de outros que entendiam como radical a idéia de invasão para forçar audiência que poderia ser obtida, como de fato aconteceu, por meios suasórios.
O não uso de aparato ofensivo, via polícia de choque, facilitou o andamento de tudo e a progressiva dispersão dos cerca de 3 mil manifestantes. A polícia agiu com extrema competência e há a impressão nítida de que tinha informações do estado de espírito dos grevistas e de seu nível de organização, razão pela qual se portou com extrema e competente discrição. Também os provocadores, de outro lado, foram isolados pelo comando do fórum sindical.
Foi hábil também o governo em botar como tema principal do encontro de terça-feira o exame do fundo penitenciário. Fragmenta, com isso, o bloco chave das reivindicações e seu núcleo principal que era o reajuste aos que o esperam há mais de dois anos. Ganha tempo igualmente ao marcar outra reunião para dia 9, quando o temário será mais genérico.
O comando, na avaliação, deve perceber que no primeiro round foi enrolado, como das outras vezes, e talvez deva partir para outras iniciativas que possam encurralar o governo e concretamente. Não alegoricamente, como se deu dia 29.
BIZARRICE No momento do cerco do Palácio Iguaçu, sexta-feira, anunciou-se que Lerner iria chamar a tropa de choque, o que não se confirmou. Um funcionário, mais gozador do que exaltado, gritou :queremos a tropa do cheque.
REGRA TRÊS O senador Osmar Dias se reúne amanhã, 11 da manhã, com a bancada do PMDB. Tema do encontro: possibilidade de Osmar entrar no partido e sair como candidato a governador, na hipótese de Requião pipocar ou sair no projeto presidencial. Pelo jeito, Osmar está advinhando que o irmão sai mesmo para o Senado, com obediência à imposição do Palácio Alvorada.
Pode não ser verdade, mas é bem bolada e agudamente lógica para quem conhece o estilo do senador Osmar Dias que dribla mesuras e é rústico de um jeito que o povão até aprecia.
ANALOGIA Cada vez que o funcionário público pára, lembramos imediatamente do filme Próxima Parada, Bairro Boêmio, de Paul Mazurski.
O BONDE Pergunta do indefectível Candinho Gomes Chagas da Paraná em Páginas a Lerner, a quem pede que tenha vergonha e responda: Onde você jogou o historicamente valioso bonde doado pela família Slaviero ao patrimônio da Prefeitura de Curitiba? Vem a propósito, no momento em que há debate na Câmara Municipal sobre patrimônio histórico. Colocaria outra pergunta, essa dirigida ao Rafael Greca: por que se permite a derrubada da fábrica de pianos Essenfelder, mais do que histórica, e insiste-se em apontar o simulacro de restauração da Fundição Mueller como um caso de preservação?
SPRAY Folha de S.Paulo apontou Requião no Senado como praticante de nepotismo pelo fato de nomear o irmão Eduardo para um bico de R$ 8 mil.- Se no governo ele botou dois irmãos no primeiro escalão (Maurício e Eduardo) e um primo-irmão no Banestado, nada impressiona.- Sem moralismos, que é o discurso tanto dele quanto de Álvaro, não custa lembrar a frase de Lupion a Ney Braga: Quando você tiver genros e noras, filhos maiores, vai entender. Lupion nomeou apenas um irmão, o José, para a Copel. Álvaro apenas o Osmar e Lerner foi mais longe do que todos. - Um conselheiro do Paraná Clube, Jair Leite, que era da Federação de Futebol, foi afastado porque protestou um título contra ela.- Requião, embora derrotado na tese de antecipar a convenção do PMDB, está disposto a medir forças com Sarney e sob o ponto de vista da novidade (em termos nacionais, é claro) tem mais condições de se fixar.- Happy hour no Palácio (não é o Bar famoso) produz muito otimismo em torno de uísque. Como dizia o Carlos Nasser ao ver a turma da UDN: Lá vem a ala escocesa.- Revista Amanhã, dos gaúchos, mostra um quadro nada alentador do Paraná relativamente ao Rio Grande do Sul, Minas, Santa Catarina e Rio de Janeiro nas cem maiores empresas. Em liquidez perdemos até de catarinenses. Menos euforia, mais raciocínio, gente. O quadro vai mudar com os investimentos programados e podemos até superar os gaúchos.
FOLCLORE Mais uma do filósofo anarquista Elísio Marques: Bateau-Mouche, o novo apelido do Gato da Dona Fany, que adernou para a Direita.
CROMO A ideologia não prescinde de embalagem e glamour: Débora sem-terra, ao mostrar o corpo nu, aceita o jogo da sociedade consumista e é mais autêntica do que o apelo petista do sem medo de ser feliz.
AFORÍSTICO Temor de parecer direitista não quer dizer que o cara é direito.





