Nunca o Brasil esteve num quadro psicossocial como o de agora em que se percebe, até mesmo nas pessoas cultas, a ânsia do linchamento. A prisão de Jader Barbalho se insere no cenário de crispações quase semelhante ao das execuções da Klu-Klux-Klan. Tecnicalidades do Direito se tornam inaceitáveis e isso se deu não apenas com a liberação do ex-presidente do Senado como já ocorrera com o caso dos banqueiros Cacciola e agora os do Banco Nacional.
Linchar não resolve. Em 64 as cassações vinham aos borbotões e faziam o frisson das multidões, como se dera em Cuba com os justiçamentos do paredon. Em tal clima é impossível o julgamento isento não apenas das pessoas como também das instituições, dentre elas o Judiciário, alvo de todo ceticismo.
Apesar de ser um país de muitas leis, o Brasil não as tem adequadas para o combate à corrupção. Quando Collor, ACM, Arruda, Jader e mais os anões do orçamento recorrem à renúncia para preservar direitos vê-se aí uma imensa vulnerabilidade. No caso do presidente afastado (e que volta com toda carga como senador das Alagoas e com muita gente o desejando na presidência) houve a pena acessória da suspensão dos direitos políticos. De lá para cá não reuniram contra ele nem 10% das provas que obtiveram contra Barbalho e, assim mesmo, o político paraense pode ser beneficiário da praga do vitimalismo que assola o nosso povo e que transforma vilões em mártires.
Uma das ilusões do público é a de que o ‘‘fuzilamento’’ dos corruptos operaria como um mecanismo de compensação para a maioria dos explorados.
BIZARRICE Só faltava essa: o Big Boss na Casa dos Autistas!
AXIOMA Ontem o governador fez um relato dos sete anos que daria a dimensão de um discurso de Fidel Castro. Não um monólogo, mas um monolongo.
GLOSA Como o presidente do STF mais o do Tribunal Regional de Brasília acharam um exagero (de certa forma não deixam de ter razão, pois a execração não faz parte do nosso sistema penal) terem algemado Barbalho só falta o ex-senador processar o governo federal por haverem ferido a sua imagem.
EPIGRAMA Quem com ‘‘Ferreirinha’’ fere, com Teixeirinha será ferido?
FOLCLORE Quando mais a Globo tenta nivelar-se na baixaria (Linha Direta, abuso de noticiário policial, Big Brother) com a SBT, esta lhe dá um banho, como se deu anteontem no horário nobre. É mais Justiça patética do que poética.
VINHETA Um soldado PM se recusou a participar do massacre de Campo Bonito e pode transformar-se numa versão miliciana do Capitão Macaco da FAB. Este foi aquele rebelado que denunciou a tentativa de explosão do gasômetro e do sequestro de Carlos Lacerda e outros políticos.
CROMO A ninfa se faz borboleta, poesia, e a larva se faz dengue, tragédia.

mockup