Luiz Geraldo Mazza
O Paraná quis sediar o terceiro pólo petroquímico do Brasil, anos 70, e perdeu a batalha, ainda que com o melhor estudo e melhor qualificação, para o Rio Grande do Sul. Para trazer a exploração do xisto, em escala industrial, tivemos que suportar o purgatório, pois Tremembé, em São Paulo, havia sido escolhido em lugar de São Mateus do Sul. Para compensar a primeira tivemos a implantação da unidade de amônia e uréia, hoje privatizada. No caso da segunda tivemos que esperar que se descobrisse o óbvio de que a localização era a mais apropriada para a exploração da formação Irati do folhelho betuminoso.
Dentre os vários projetos há um o do uso múltiplo da bacia do Ivaí que ganhou força no governo Canet Júnior e depois no de Richa e Alvaro Dias: buscava-se entroncamento multimodal em Doutor Camargo (hidro-rodo-ferroviário) que permitisse a integração com a hidrovia Tietê Paraná. Ainda em agosto do ano passado, o engenheiro-arquiteto Ayrton Cornelsen, ex-superintendente da Sudesul (e que tratou do assunto em 82), como coordenador do Conselho Regional do Vale do Ivaí, enviou expediente a FHC sobre o tema, sugerindo que a iniciativa privada assuma a obra que implicaria em usinas geradoras de energia elétrica, navegabilidade sul-sudeste com a hidrovia Tietê-Paraná, controle de cheias e recuperação de 74 mil hectares para implantar 300 colônias rurais, irrigação por gravidade após barramento, saneamento, psicultura, turismo.
Aproveitar a água com uso múltiplo é algo que o Brasil aprendeu (e aplicou pela metade) em Paulo Afonso, decalcando o modelo da autarquia do Tenessee Valey, à moda keynesiana, com forte intervenção estatal. Uma utopia a mais, como aquela do médico francês Maurice Faivre que na Colônia Teresa Cristina, também, no Ivaí, tentou uma experiência do socialismo de Charles Fourier dos falanstérios e que não deu certo. Faivre era parteiro da imperatriz. Por sinal que o jornalista Luis Manfredini escreve uma obra a respeito.
BIZARRICE Outra utopia: certa ocasião a Praça Osório era Praça Oceano Pacífico e justamente quando se criou da Rua XV em direção ao Seminário a Estrada de Mato Grosso como ligação interoceânica. Nome da praça era alegoria ao sonho.
AXIOMA Pelo pau que o Malutron aprontou em cima dos coxas dá para perceber que Joel Malucelli tem uma forma estranha de amor pelo Coritiba.
FOLCLORE Magalhães Pinto exigiu de Carlos Lacerda o seguinte: que ele dissesse em público o que dizia do mineiro no particular e que o criticasse na intimidade como fazia com os elogios. Mais ou menos isso se deu entre Greca e Taniguchi. Haviam combinado um encontro sem alarde e Rafael não resistiu e falou no assunto no partido e nos jornais. Taniguchi não recebeu Rafael. E já se sabe que não o apoiará, se escolhido. Discretamente, em silêncio, como convém às pessoas educadas.





